quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Histórias Semelhantes 2: O pó de pirlimpimpim

Nessa postagem eu mostro 2 histórias semelhantes em a Mônica encolheu por causa de um pó de pirlimpimpim. A 1ª versão saiu em 'Mônica Nº 90' (Ed. Globo, 1994) e a 2ª versão, em 'Mônica Nº 120' (Ed. Globo, 1996).

Capas: 'Mônica Nº 90' (Ed. Globo, 1994) e 'Mônica Nº 120' (Ed. Globo, 1996)

Na verdade, o enredo em si começam e terminam diferentes, apesar do tema da Mônica encolher, mas a partir de um determinado momento as situações ficaram exatamente iguais, com os mesmos diálogos, e apenas redesenharam. As duas tem o mesmo título e bem curioso que o tempo entre uma história e outra foi apenas de um ano e meio, visto que 'Mônica Nº 90' saiu em junho de 1994 e 'Mônica nº 120' saiu em dezembro de 1996.

Na 1ª versão de 1994, com 18 paginas no total, começa com o duende Mug entrando no quarto da Mônica para brincar com os brinquedos dela, usando o seu pó de pirlimpimpim para encolher e entrar na frecha da janela, que estava fechada. Quando ele percebe que a Mônica estava entrando, ele foge pela janela, mas deixa o saco com o pó de pirlimpimpim lá no quarto. Mônica se assusta com a bagunça do quarto e encontra o saco e pensa que foi o Cebolinha que armou a arte e vai atrás dele.

Trecho da HQ de 'Mônica Nº 90' (1994)

Já a 2ª versão, com 16 paginas tem o Natal com plano de fundo. Nela, a Mônica desconfia que o Papai Noel não existe e que são os pais que dão os presentes porque ele não entraria em casa sem chave e na casa dela não tem chaminé. Cebolinha diz que é por causa do pó de pirlimpimpim que encolhe o Papai Noel e aí assim ele entra no buraco da fechadura. Mônica não acredita, achando que a mãe do Cebolinha inventou tudo isso e ele vai embora com raiva. 

Mônica vai para casa, se convencendo que Papai Noel não existe e ai a sua mãe, Dona Luisa, pede para ela arrumar o quarto. Enquanto Mônica arruma, ela encontra um saco de pó de pirlimpimpim e acha que é um plano do Cebolinha para tentar convencê-la a acreditar em Papai Noel e vai atrás dele.

Trecho da HQ de 'Mônica Nº 120' (1996)

A partir daí, as 2 histórias ficam  exatamente iguais, com as mesmas situações e mesmos diálogos, só que redesenharam tudo. Foram 10 páginas idênticas das historias nas 2 versões em tudo. O que mudou foi apenas a disposição dos quadrinhos nas páginas, onde os 2 primeiros quadrinhos de cada página da história de 1994 ficaram no final da página anterior na de 1996, que por sua vez os 2 últimos quadrinhos ficavam na próxima página na de 1994.

Com isso, nessas partes iguais, Mônica vai atrás do Cebolinha percorre um lago, tropeça em uma pedra e acaba o pó de pirlimpimpim caindo em cima dela, e aí ela encolhe, mas não percebe a principio. Ela se assusta com uma lesma gigante e só se dá conta que encolheu quando avista Cebolinha e Cascão conversando.

Comparação entre as HQs de 1994 e 1996

Ela pede ajuda, mas eles pensam que é uma formiga e não ligam. Mônica passa sufoco para voltar para casa, tendo que nadar no lago, que para ela virou um rio com correnteza, é levada por uma mãe-passarinho, que pensou que era minhoca para alimentar seus filhotes, enfrenta um gato faminto, até que consegue escapar dele e voltar para casa subindo a porta com a ajuda de uma planta e entrando pelo buraco da fechadura. Isso tudo em 10 páginas.

Comparação entre as HQs de 1994 e 1996

Depois, as histórias seguem o seu final de acordo com o estilo do enredo que começou. Na de 1994, a Mônica pensa em ficar para sempre dentro da fechadura, mas a sua mãe abre a porta com a chave e empurra a Mônica para dentro de casa. Dona Luísa pensa que é uma barata e dá uma vassouradas  e a Mônica corre para o quarto e fica dentro de uma casa de boneca. Lá, estava um outro duende, Lug, irmão do Mug, e joga um "pó de pirlãopãopão" e aí a Mônica volta ao seu tamanho normal. 

No final, Mônica fica feliz, o duende Mug arruma o seu quarto, e depois Mônica vê que o Sansão estava com nó nas orelhas e descobre que foi o Cebolinha, que estava debaixo da cama. Mônica o perdoa, dá um beijo nele, dizendo que era só um garotinho e Cebolinha fica pequeno de tanta vergonha.

Trecho da HQ de 'Mônica Nº 90' (1994)

Na versão de 1996, o duende do Papai Noel, também chamado Mug, fala que o Papai Noel esqueceu o seu pó de pirlimpim quando foi entregar o presente para Mônica e joga o "pó de pirlãopãopão" e aí a Mônica volta ao seu tamanho normal. Ela se convence que Papai Noel existe, com o duende Mug reforçando que só para quem acreditar e pede para a Mônica avisar se esquecer o pó de pirlimpim lá de novo. No final, Mônica corre para o quarto para escrever uma carta ao Papai Noel e Cebolinha estranha ela estar fazendo carta por não acreditar nele e que também falta muito tempo para o Natal. Mônica diz que o Papai Noel anda muito distraído é melhor escrever desde já.

Trecho da HQ de 'Mônica Nº 120' (1996)

Como pode ver no final das 2 versões, o  "pó de pirlãopãopão" faz a Mônica voltar ao tamanho normal e ela precisa sair às pressas de um lugar pequeno antes de voltar ao tamanho normal: em 1994 ela saiu às pressas de uma casa de boneca e em 1996, dentro da fechadura. Nessas 10 páginas iguais, só alteraram uma fala do Cebolinha e Cascão comentando sobre a Mônica não acreditar em Papai Noel para dar coerência enquanto que em 1994 eles falavam só "Blá! Blá!Blá!".

Estranho ver 2 histórias iguais em tão pouco tempo, apenas em 30 edições ou 1 ano e meio para repetirem. Embora o tema principal fosse sobre Mônica encolher por causa de um pó de pirlimpimpim, podiam desenvolver outras situações de perigo com a Mônica em miniatura, a forma de cair o pó em cima dela, etc. Com certeza conheciam a história anterior e simplesmente copiaram tudo, aproveitando o tema principal, vai ver que estavam com pressa de produção, quem sabe. Comparando as 2, eu preferi a primeira versão de 1994 por causa de enredo inicial e traços, que mais me agradaram. Cada um vai ter sua versão preferida.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Capa da Semana: Cebolinha Nº 108

Uma capa muito bonita com o Cebolinha montando sua Árvore de Natal sendo que os enfeites foram o rosto de seus amigos. Lembra muito estilo de almanaques da Editora Globo, que apareciam vários personagens juntos, incluindo secundários.

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 108' (Ed. Globo, Dezembro/ 1995).


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

HQ: "Cebolinha e Cascão na Comic Con"


Está sendo realizado em São Paulo o evento "Comic Con Experience" (CCXP). Então, mostro uma história simples que homenageou o evento, em que o Cebolinha e o Cascão foram visitar a "CCXP". Com 3 páginas no total, foi publicada em 'Parque da Mônica Nº 20' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Parque da Mônica Nº 20' (Ed. Globo, 1994)

Nela, Cebolinha comenta que adora visitar a Comic Con, eles veem desenhos legais, trocam e compram gibis, e o melhor era ver os seus heróis preferidos de perto. Como aparecem o "Tór" (Thor) gordo, "Superomão" (Super-Homem) magricelo de pernas de fora, "Batimão" (Batman) baixinho e "Rúlqui" (Hulk) amarelo, Cascão fala que eles não são super-heróis coisa nenhuma.


Cebolinha fala que são e puxa a capa do "Superomão" para provar que é indestrutível, mas acaba rasgando, deixando o "Superomão" com vergonha. Cascão comenta as características bizarras dos heróis e Cebolinha fica decepcionado. Logo depois encontram a Mônica, como uma adulta disfarçada de Mônica. Cebolinha diz que a boneca tem a cara da dentuça e a Mônica verdadeira dá uma coelhada nele.

Depois eles encontram o "Billy Matson" (Billy Batson) que se transforma no "Capitão Marbel" (capitão Marvel). Cascão pede para gritar "Shazão" e se transformar no herói. "Billy Matson" aceita e quando grita "Shazão" com nuvem e trovão, Cascão sai em disparada pensando que é chuva, terminando assim.


Essa história teve intenção de homenagear a "Comic Con" que estava sendo realizada na época. O roteirista devia gostar do evento, que reúne fãs de histórias em quadrinhos, e quis prestar uma singela homenagem. Foram só 3 páginas, dava até para desenvolver mais, sendo que pelo visto só queria mostrar o que de principal acontece na "CCXP", indo direto ao ponto, como citar que dá para trocar e comprar gibis, ver super-heróis, etc.

Os traços legais, típicos em histórias de miolo dos anos 90. Na postagem a coloquei completa. Lembrando que em 2015, a MSP voltou a criar uma história ambientada na "CCXP," só que envolvendo a Turma da Mônica Jovem, publicada na sua edição "Nº 88".


Interessante ver crossover e a interação dos meninos com os personagens da Marvel e DC Comics assim como as paródias dos super-heróis, com seus nomes trocados e dessa vez sendo atores representando os super-heróis, e não eles de verdade. O único que foi representando de verdade foi o Capitão Marvel (atualmente sendo chamado simplesmente de "Shazam").

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Capas Semelhantes (Parte 23)

Nessa postagem mostro capas semelhantes em que primeiro saiu em um gibi convencional e depois fizeram outra com a mesma piada em um almanaque, ou vice-versa. Todas envolvendo a Editora Globo, menos a do Almanaque do Cebolinha que foi da Panini. 


Cascão Nº 38 X Almanaque da Mônica Nº 29

Cascão em um elevador incomodando os outros por causa do seu cheiro. Foi publicada primeiro em 'Cascão Nº 38', de 1988, mostra o lado interno do elevador fechado, com o Cascão tranquilo, nem aí se estava incomodando os outros e os personagens que apareceram foram secundários, inclusive um cachorro. Depois fizeram outra versão, publicada em 'Almanaque da Mônica Nº 29', de 1992, mostra o elevador visto do lado de fora aberto e estava lotado, só aparecendo personagens conhecidos da turma e Cascão sabendo muito bem que que estava incomodando. Podiam ter publicado essa em algum Almanaque do Cascão.



Cebolinha Nº 32 X Almanaque do Cebolinha Nº 3

Mônica sendo comparada a uma caveira dentuça. A versão original saiu em 'Cebolinha Nº 32', de 1989, eles estão como piratas, sendo que a piada foi referente á história de abertura "A caveira dentuça", em que Mônica, Cebolinha e Cascão vão atrás de um tio da Mônica em uma ilha. Já na 2ª versão, de 'Almanaque do Cebolinha Nº 3', de 2007, eles estão como arqueólogos e a piada da caveira dentuça foi normal, sem fazer referência a alguma história de abertura. De curiosidade, a edição 'Cebolinha Nº 32' foi a verdadeira "Nº 200", se não tivesse reiniciado a numeração quando foram para a Globo.



Magali Nº 65 X Almanaque da Magali Nº 42

Magali como Cinderela comeu toda a abóbora que era a carruagem. Na versão original, de 'Magali Nº 65', de 1991, só aparece a Magali, o motorista e os cavalos da carruagem espantados com a façanha dela. Já na versão publicada em 'Almanaque da Magali Nº 42', de 2004, são os personagens da turma, incluindo secundários, que ficaram espantados. Os cavalos olham também para ela. Em almanaques tinham  essa ideia de vários personagens reunidos e ai por isso teve essa adaptação.



Magali Nº 176 X Almanaque da Magali Nº 35

Magali exibindo seu jet-ski de banana. Na versão original, de 'Magali Nº 176', de 1996, só aparece a Magali na capa e foram utilizadas 2 bananas para formar o jet-ski. Já na versão de 'Almanaque da Magali Nº 35', de 2002, aparecem junto com ela a Mônica, Cebolinha e Dudu e foi só uma banana.



Almanaque do Chico Bento Nº 50 X Chico Bento Nº 406

Chico lendo gibi e as figuras folclóricas atrás dele querendo ler também. Saiu primeiro em 'Almanaque do Chico Bento Nº 50', de 1999, com eles na rua em cima de um tronco de árvore, com o Chico aceitando numa boa os seres folclóricos lendo atrás dele, aparecem Saci-Pererê, Lobisomem, Mula-Sem-Cabeça, Curupira e Cuca e estão lendo o próprio Almanaque do Chico Bento Nº 50. Já na versão de 'Chico Bento Nº 406', de 2002, eles estão na varanda da casa do Chico, que estranha os seres atrás dele, aparecem os mesmos seres, só mudando a Cuca pela Sereia e estão lendo um gibi da Mônica.



Dessa vez eu preferi as primeiras versões de cada uma. Em breve posto mais capas semelhantes aqui no Blog.

sábado, 26 de novembro de 2016

Zé Vampir: HQ "Sangue, Sangue, Sangue!"


Mostro uma história simples e muito divertida de quando o Zé Vampir inventou que havia se acidentado só para pegar o sangue do hospital. Com 4 páginas no total, foi publicada em 'Cascão Nº 31' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Cascão Nº 31" (Ed. Abril, 1983)

Nela, o Zé Vampir está lendo jornal em um banco de praça quando vê um caminhão de banco de sangue que estava indo para levar sangue em um hospital. Ele sente o cheiro dá vontade de tomar, estava morrendo de sede, mas lamenta que aquele sangue não era para ele. Até que tem uma ideia e corre para pôr em prática.


Logo depois, Zé Vampir aparece no hospital com uma roupa toda rasgada e cheio de arranhões, se joga na recepção e fala para recepcionista que precisa de sangue porque foi atropelado por uma jamanta, caiu em um bueiro, foi parar em rio, caiu em cima de uma catarata de pedras e foi se arrastando até lá no hospital. A recepcionista diz que o estado dele é grave e fala  que vão atendê-lo e manda ficar atrás de um homem na fila. mas, quando ele vai ver, a fila era enorme, com muita gente para ser atendida.


Zé Vampir espera um tempão na fila e consegue ser atendido, mas a atendente o manda preencher uma ficha e se dirigir a outro guiché. Ele espera 1 hora na fila, afinal eram os mesmos que estavam esperando junto com ele antes, e finalmente entrega a ficha e entra no ambulatório. Lá, a enfermeira manda deitar na maca, quando bate o sinal da hora do almoço e ela sai falando que depois volta, deixando Zé Vampir esperar mais uma vez.

Depois de um tempo, ela volta e tira o sangue do Zé Vampir. Ele reclama, dizendo que não quer doar sangue, e, sim, receber. A enfermeira, então, diz que fez tudo errado, que tem que pegar outra fila, preencher uma ficha rosa e passar em outro guiché. Zé Vampir desmaia, caindo da maca, e a enfermeira o leva direto para outra enfermaria de maca, avisando ao pessoal da fila que era uma emergência, que ele estava precisando urgente de sangue, terminando assim.


Essa história é engraçada demais. Zé Vampir quis se aproveitar do hospital para tomar sangue, mas não contava que teria tanta burocracia e acabou se dando mal ao pôr em prática o seu plano infalível. Muito engraçado quando o Zé Vampir se dar conta que ia enfrentar fila para conseguir sangue e também quando a enfermeira deixa de atendê-lo para ir almoçar. Não é só o Cebolinha que tem seus planos infalíveis e como sempre em histórias de plano, o personagem se dá mal no final. Apesar, de certa forma, o Zé Vampir ter recebido sangue que queria, mesmo passando mal de verdade.

O roteirista quis fazer uma crítica com muito bom humor ao atendimento precário dos hospitais e burocracias, que infelizmente já acontecia nos anos 80. Tudo bem que Zé Vampir tinha inventado de ter sido acidentado, mas para ser atendido teve que esperar mais de 3 horas para ser atendido, com filas, preenchendo formulários, esperar enfermeira almoçar para ser atendido, coisas que não é muito diferente na vida real. Eu gostava quando tinha histórias fazendo críticas sociais e piadas em cima disso. Hoje em dia é impublicável por estar fazendo crítica social e também do Zé Vampir querendo tirar o sangue que seriam de outros pacientes do hospital.


Os traços muito bons, bem característicos do início dos anos 80 e ainda com o Zé Vampir sem traços muito definidos, tanto que seus olhos não apareceram brancos e os dentes caninos diferentes. Na postagem a coloquei completa. Teve propaganda do lápis amarelo Labra inserida na lateral direita da última página, o que era muito comum na época e eu gostava quando acontecia. Ela foi republicada depois em 'Almanaque do Cascão Nº 9' (Ed. Globo, 1990). Abaixo, a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 9' (Ed. Globo, 1990)