sábado, 21 de abril de 2018

Cascão: HQ "Sorte"

Mostro uma história de 1 página com o cascão se consultando com uma vidente publicada em 'Cebolinha Nº 45' (Ed. Globo, 1990).

Nela, uma vidente fala que o Cascão vai ter muita sorte. Quando ele sai de lá, pisa em uma casca de banana, faz tropeçar em uma pedra e cai na lama, que faz cair em um precipício e cai em uma lata de lixo. Apesar de estar todo machucado, Cascão adora estar todo sujo e acredita que teve muita sorte como a vidente falou.

Fica o ponto de vista, ruim por ter se machucado todo, mas por se tratar de Cascão que gosta de sujeira foi uma coisa muita boa. Totalmente incorreto esse tabloide, já que mostra Cascão se sujando em lama e dentro de lata de lixo, fazendo apologia á sujeira, assim como não é muito bem visto hoje personagens caírem em precipício e criança se consultar com videntes.

Interessante um tabloide do Cascão sair em um gibi do Cebolinha, podia ter sido publicado em um gibi do Cascão. E que teve um título, já que costumavam colocar apenas o nome do personagens em tabloides. A seguir mostro a história completa.


domingo, 15 de abril de 2018

Capa da Semana: Cebolinha Nº 69

Uma capa com o Cebolinha como astronauta e fazendo caricatura da Mônica no planeta Terra. Ele não perde a oportunidade para sacanear a Mônica.

Capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 69' (Ed. Globo, Setembro/ 1992).


terça-feira, 10 de abril de 2018

Os primórdios do politicamente correto (Parte 2)

Há algum tempo eu criei uma postagem mostrando alguns casos de quando começou o politicamente correto, ou colocando quando aconteceu a primeira vez ou a última vez determinadas situações incorretas. Então nessa postagem mostro outros casos que ficaram de fora e que valem a pena retratar para saber quando que começaram essa paranoia de politicamente correto.

A primeira situação que mostro são os palavrões que sempre marcou a Turma da Mônica. Os personagens quando muito irritados falavam palavrões só que eram representados por símbolos como bombas, pregos, cobras, lagartos, etc, para não deixar explícito. Apenas mostravam os símbolos e os leitores que sabiam que se tratavam de palavrões.


Foram várias histórias assim desde que foram criados, seja só situações rápidas em um quadrinho de extrema irritação até histórias e tirinhas com tema de palavrões, como o nível dessa tirinha publicada em 'Cascão Nº 115' (Ed. Globo, 1991) em que o Cebolinha fala palavrão para o Cascão e acaba escrevendo os palavrões no muro depois da mãe dele lavar a boca com sabão. Ou seja, além de ser divertida, ainda mostrava indiretamente que palavrão era errado.

Detalhe do Cebolinha ter falado palavrão, ele ainda rabisca muro no final, outra situação incorreta, fora a Dona Cebola ter lavado a boca dele à força , situação também não muito bem vista no politicamente correto.

Tirinha de 'Cascão Nº 115' (1991)

A última vez que os personagens falaram palavrão foi na história "Tá em código!" de 'Parque da Mônica Nº 40' (Ed. Globo, 1996), em que o Cebolinha resolve xingar a Mônica rabiscando símbolos no muro, no estilo dos passatempos de "Carta Enignática" que tinham nos gibis. No final, após o Cascão ter estragado o plano mais uma vez, o Cebolinha fala palavrões e o Cascão faz de desentendido que não consegue decifrar o que o Cebolinha estava falando, como mostro abaixo:

Trecho da HQ "Tá em código!" - Parque da Mônica Nº 40' (1996)

Detalhe que além dos palavrões, tem os rabiscos no muro, como uma das últimas histórias que os personagens faziam isso, já que em 1997 em diante também não podia mais ter histórias assim.

Depois dessa história, ainda teve em 1996 uma tirinha em que a Magali vê os meninos falando palavrões e resolve se meter para eles não brigarem, aí como falam pqra ela que a conversa não chegou na cozinha, os 3 começam a discutir com palavrões. Essa foi a última tirinha envolvendo palavrões em um gibi. Mostro abaixo:

Tirinha de 'Magali Nº 193' (1996)

A partir de 1997 não tiveram mais palavrões nos gibis, pelo visto porque  os palavrões sendo só símbolos influenciavam as crianças a falarem palavrões, podem ficar imaginando o que os personagens estão xingando e passar a falar na vida real e devem ter tirado por isso. para mim bobagens, isso não acho estímulo para se falar palavrões.

Além dos palavrões, algumas palavras passaram a ser proibidas também ao longo dos anos por acharem incorretas para os gibis. Palavras como "azar" (que passaram a colocar "má sorte"), "minha nossa!", "droga!", "diacho!", e até algumas surpreendentes como os bichos "piranha" e "perereca" não podem mais, sempre alterando em almanaques palavras como essas, como na história "Era uma vez uma perereca" (Mônica Nº 147 - Ed. Globo, 1998), mudaram pra "sapinho" no 'Grande Almanaque Turma da Mônica Nº 21' (Ed. Panini, 2017)..

A palavra "Droga!" em especial era a mais falada quando os personagens estavam brabos. Era muito frequente aparecer nos gibis, isso quando não era "Diacho", que tinha a mesma finalidade, sendo mais falada com o Chico Bento, mas aparecia outros personagens falando.

Trecho da HQ "A Imperdoável" - 'Magali Nº 1' (1989)

A última vez que os personagens falaram a palavra "Droga!" foi na história "Incrível" , de Cascão Nº 257' (Ed. Globo, 1996), em que o Cascão vê o Cebolinha correndo atrás da Mônica e depois vê que estavam brincando de pique-pega e o Cebolinha fala "Droga!" por ela ter chegado primeiro. Detalhe do Cascão na lata de lixo, caso que falo mais adiante nessa postagem.

HQ "Incrível" - 'Cascão Nº 257' (1996)

A partir de 1997, os personagens não falaram mais "Droga!" nos gibis, deve ser porque acham que se trata de palavrão ou porque lembra drogas entorpecentes , que também são proibidas nos gibis. Sempre que querem falar essa palavra, eles passaram a falar "Bolas!" no lugar e nas republicações da Panini sempre alteram "Droga!" por "Bolas!". A proibição das palavras "Droga!" e "Diacho!" serviu como base para passarem a proibir também as outras palavras citadas aos poucos ao longo dos anos. Lamentável!

Outro caso que mostro é do Bidu e os outros cachorros não poderem mais mijar nos postes. Nos gibis antigos era normal ver os cachorros mijarem nos postes, nos muros da rua tranquilamente, sem ninguém se importar com isso. Ou colocavam histórias dos cachorros mijando naturalmente em situação de cotidiano ou algumas fazendo piadas com isso. Já teve até história com o Duque contando porque os cachorros mijam em postes, vindo de seus ancestrais.

Trecho da HQ "História do cão" - 'Cascão Nº 39' (1988)

De repente, em 1996, foi proibido aparecer cachorros mijando em postes nos gibis, uma ordem por conta de que os gibis são exportados para o mundo todo e tem países que não aceitam isso, dando até prisão aos cachorros de rua e donos que deixam cachorros mijarem na rua. Se não acharem também que vai incentivar os leitores a mijarem nas ruas. Achei um absurdo isso, nada a ver proibirem de cachorros mijarem na rua, não faz sentido nenhum.

Para lançar a novidade, criaram a história "Politicamente Correto", publicada em 'Parque da Mônica Nº 37' (Ed. Globo, 1996). Nela, Bidu mija em um poste e aparece o Manfredo para avisar que teve ordens que não podia mijar porque é errado e teve a solução de fazer o Bidu mijar sentado na privada como os humanos. Mas o Bidu, com vergonha dos leitores vendo mijando naquela posição, aí acaba desistindo e sai disfarçado pela situação constrangedora. Detalhe que no momento que ele mija não é mostrado a cena, só o xixi já no poste par anão chocar. Ridículo. Depois dessa história nunca mais apareceu Bidu mijando nos postes.

Trecho da HQ "Politicamente Correto" - Parque da Mônica Nº 37' (1996)

Esse foi o primeiro caso de politicamente correto nos gibis da MSP, dando para perceber que algo estava mudando na MSP e que depois dessa foi criando gosto para aparecer os outros casos aos poucos, visto que a maioria começou a aparecer em 1997. Foi primeira vez, inclusive, que essa expressão "politicamente correto" foi usado nos gibis e logo em um título, sendo histórico isso. Interessante que no início eles gostavam de dar satisfação aos leitores sobre as mudanças, seja criando história ou através de propagandas, como eles fizeram quando os personagens deixaram de rabiscar muros.

Trecho da HQ "Politicamente Correto" - Parque da Mônica Nº 37'  (1996)

Outro caso são os bandidos que deixaram de aparecer nos gibis. Sempre apareciam nos gibis desde a Editora Abril, foram bandidos de todos os tipos e várias histórias com personagens sendo assaltados em bancos, lanchonetes, dentro de casa, entre outros, ou então sequestrados, ou até os personagens obrigados a participarem de assaltos por alguma chantagem ou por eles serem confundidos com a aparência de um integrante da quadrilha.

Isso anda quando os bandidos faziam participação rápidas nas histórias, as vezes em situações que nem imaginava ou precisaria aparecer eles estavam lá. Já teve de tudo. O tipo de histórias que eles gostavam mais era colocar uma dupla de bandidos, sendo um mais alto e esperto que é o líder e um mais baixinho e lerdo que costuma atrapalhar os planos. Seja histórias com mais ação, aventura ou mais voltadas para comédia, os bandidos estavam lá.

Até que a partir de 1997 deixaram de mostrar os bandidos nos gibis. Pelo visto pela violência que andava no Brasil cada vez maior para não estimular mais crimes, fora traumas de quem já foi assaltado e ver os personagens envolvidos, fora que armas de fogo pelos personagens também foram proibidas nos gibis, aí passaram de colocar histórias assim. A última vez que apareceram com frequência foi na história "O terrível bando de Al Cafona" de 'Parque da Mônica Nº 47' (Ed. Globo, 1996) em que Cebolinha e Cascão são sequestrados após a bola deles entrarem no esconderijo dos bandidos.

Trecho da HQ "O bando de Al Cafona" - Parque da Mônica Nº 47' (1996)

Nesse mesmo gibi ainda teve outra história com bandido que sequestrou o Bidu e outros cachorros para que participasse de um assalto a banco. Após essas, ainda tiveram uma ou outra história com bandidos, mas com participações bem rápidas, sem eles serem foco principal, até sumirem de vez por volta de 1999. Sobrou até para dupla Zum e Bum que passaram a frequentar o limbo dos personagens esquecidos por serem bandidos e essa palavra também foi proibida, quando precisam colocam como "meliantes". De fato, acho que exageravam com presença de bandidos nos gibis, principalmente nos anos 70 e 80, mas não precisaria tirar de vez dos gibis, é como se não tivesse bandidos no mundo.

Outra situação são os diabos que deixaram de aparecer também. Já apareceram vários tipos de diabos, uns com traços mais do estilo da MSP, outros mais assustadores, outros como crianças, além do diabo da Turma do Penadinho e vários tipos de histórias com aventuras de luta entre o bem e o mal, ou diabo querer algo da turminha, uns eram mais atrapalhados, voltados ao humor, outros eram de meter medo. Sendo que o tipo de história que mais gostavam era do diabo querer que algum personagem venda a alma para ele.

De repente a MSP deixou de colocar histórias com diabos, pelo visto porque traumatizava as crianças a presença dos diabos, reclamação dos pais, fora que também passaram a não ter histórias religiosas nos gibis. A última vez que diabos apareceram com frequência foi na história "Com os diabos" de Cebolinha Nº 139' (Ed. Globo, 1998), em que um diabão propõe ao outro diabo que consiga comprar a alma do Cebolinha para que pudesse continuar no inferno. Detalhe do Cebolinha com uma arma de brinquedo na mão, que foi importante pra fazer o trocadilho dos nomes "arma" e "alma", uma das últimas histórias com personagens com armas na mão. 

Trecho da HQ "Com os diabos" - 'Cebolinha Nº 139' (1998)

Depois dessa história, uma ou outra vez ainda apareciam diabos com a turminha, ou mostravam ainda o da Turma do Penadinho até sumirem de vez. Depois de muito tempo, já na Panini ainda tentaram fazer histórias com diabos como a de abertura de 'Cebolinha Nº 89' de 2014, mas seguiu adiante, capaz de ser por reclamações dos pais. Ainda assim uma vez ou outra mostram diabos após 2014, só que bem raro e sem aqueles estilos de histórias como os das Editoras Abril e Globo.

Último caso que mostro e que considero mais revoltante desses é o Cascão na lata de lixo ou no lixão. Nas histórias antigas, era muito comum ele estar dentro de uma lata de lixo, seja brincando ou fugindo da chuva ou até mesmo para descansar. Durante toda a trajetória renderam histórias e capas excelentes e memoráveis com o Cascão na lata de lixo, algumas até sendo o tema da história  Sempre era divertido vê-lo na laxa de lixo, principalmente quando escondia da chuva, já que era o local mais próximo para escapar senão tomaria banho.

A partir de 1997 a MSP infelizmente deixou de colocar histórias com ele na lata de lixo por achar que estimula apologia à sujeira, poderia incentivar as crianças a mexerem com lixo. Com isso, a última vez que Cascão apareceu em uma lata de lixo foi na história "Incrível" , de Cascão Nº 257 (Ed. Globo, 1996), em que descansando em uma lata de lixo até ver o Cebolinha correndo atrás da Mônica.

Trecho da HQ "Incrível" - 'Cascão Nº 257' (1996)

Lembrando que isso vale não só para o Cascão, mas qualquer personagem não pode mais entrar em lata de lixo, inclusive os bichos como o Bidu e Mingau, que também entravam ou reviravam latas de lixo deixaram de fazer isso também.

Já capas prolongaram mais um pouco e a última capa que o Cascão apareceu em uma lata de lixo foi em 'Cascão Nº 308' (Ed. Globo, 1998), com até um ar politicamente correto, ensinando que mesmo ele estando na lata de lixo, não jogou o que estava comendo nem no chão e nem na própria lata que estava, e sim, em uma outra ao lado. Já não teve aquele encanto de capas antológicas que eram até durante os próprios anos 90.

Capa de 'Cascão Nº 308' (1998)

Logo após a proibição da lata de lixo, Cascão também deixou de aparecer brincando em lixões, dentro de lama, tudo por causa do mau exemplo que dava com essas atitudes. A última vez que apareceu com frequência em lixão foi na história em "Sujinho... mas nem tanto" de Cascão Nº 264' (Ed. Globo, 1997), em que apareceu um menino mais sujo que o Cascão para mostrar que a sujeira não valia a pena e convencê-lo a limpar o quarto, não entrar mais em lixões e até tomar banho. Nela, Cascão até fala que não ia mais a lixões. No final, sabemos que foi o menino era o Anjinho e  conseguiu com que o Cascão passasse a ter mais consciência com a sujeira.

Coincidência ou não, foi uma história que marcou uma nova fase do Cascão a ser menos sujo, uma espécie de satisfação aos leitores que ia passar a conviver menos com sujeira. Desde então a personalidade já estava ficando diferente, com menos apologia à sujeira, como se quisessem limpar o Cascão aos poucos, e aí foi piorando isso ao longo dos anos.  O que foi uma pena que conseguiram estragar o personagem porque sem lata de lixo, brincar em lixão e na lama, foi completamente descaracterizado. A graça dele era essa e tirando tudo isso passaram a focar mais o personagem com histórias apenas criando e consertando brinquedos ou participando de planos infalíveis. Revoltante!

Trecho da HQ "Sujinho... mas nem tanto" -'Cascão Nº 264' (1997)

Como podem ver, o politicamente correto estragou com as histórias e as características dos personagens. Ficam a favor de não dar mau exemplo, mas estragam com as histórias, fora que não dá liberdade para os roteiristas criarem do jeito que querem, o que considero pior. Em todos esses casos, após não ter histórias novas assim, até continuaram republicando nos almanaques de vez em quando, mas sempre que possível evitando republicar, tanto que tem muitas não tiveram republicações até hoje por conta disso ou então alteram falas e desenhos em almanaques recentes da Editora Panini para poderem republicar, o que é pior porque ficam mudando os trabalhos dos roteiristas e desenhistas da época e estragando as histórias originais só pra ficar a favor do politicamente correto. Se é incorreta para os padrões atuais.

Para saber mais sobre o politicamente correto nos gibis, entre na primeira parte:

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Capa da Semana: Parque da Mônica Nº 38

Uma capa com a Mônica e Magali como garçonetes da praça de alimentação do Parque da Mônica com a Magali comendo um supersanduíche da lanchonete enquanto a Mônica está se virando para atender todos os clientes sozinha. Apesar de fazer alusão à história "Atrás do Balcão", ficou uma piada bem legal. Sempre que tinham oportunidade, procuravam colocar alguma piada em capas com alusão à história de abertura nos gibis antigos.

A capa dessa semana é de 'Parque da Mônica Nº 38' (Ed. Globo, Fevereiro/ 1996).


domingo, 1 de abril de 2018

Cebolinha: HQ "Mentira cabeluda"

Dia primeiro de abril é o Dia da Mentira. Então, mostro uma história em que o Cebolinha não disse que só tinha 5 fios de cabelo para uma menina que estava paquerando e ele tinha que ver como consertar essa mentira. Com 10 páginas, foi história de abertura de 'Cebolinha Nº 40' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Cebolinha Nº 40' (Ed. Globo, 1990)

Nela, a mãe do Cebolinha estava terminando de limpar a cozinha e pede para o Cebolinha guardar os artigos de limpeza na garagem. Cebolinha carrega tudo de uma vez só e tropeça em uma bola que estava no quintal, levando um tombo e a vassoura quebra ficando só o esfregão dela na cabeça, parecendo que ele tinha cabelo e fica brabo perguntando quem deixou uma bola no meio do caminho.


Surge uma menina no lado de fora do muro e diz para o Cebolinha que é a nova vizinha e pede para pegar a bola que havia caído no quintal. Ela era muito bonita e Cebolinha se apaixona por ela. Ele pega a bola e diz que pode deixar cair a bola lá quando quiser. Ela acha o Cebolinha simpático, diz que se chama Pati e pergunta o nome dele. Pati acha o nome fofinho que combina com ele e pergunta se ele pode mostrar o bairro para ela por não conhecer direito. Cebolinha diz que é um prazer e eles combinam de se encontrarem de tarde.


Cebolinha voa apaixonado e encontra o Cascão no caminho. Diz que conheceu a nova vizinha  e ela o achou uma fofura, quer que mostre o bairro para ela e se gaba falando que é duro ser bonito, inteligente, charmoso que as meninas não resistem. Cascão pergunta para onde vai com um esfregão na cabeça e Cebolinha diz que não tinha visto quando levou o tombo. Logo em seguida, lembra que tinha conversado com a Pati com o esfregão na cabeça e pensa que ela vai achar horrível de vê-lo só com 5 fios de cabelo.


Cascão sugere que ele use um chapéu, mas Cebolinha diz que não porque o charme é a cabeleira. Cascão diz que nunca teve e Cebolinha fala que vai ter. Ele pega seu cofrinho e vai junto com Cascão a uma clínica de implante de cabelos. A atendente pede para escolher um tipo de cabelo, ele escolhe e, quando vai pagar, entrega o cofrinho com moedas. A atendente diz que com o dinheiro que tinha dava para implantar exatamente um fio de cabelo, deixando Cebolinha arrasado e entende porque tem tantos carecas no mundo.


Eles procuram ajuda do Franjinha, que diz que havia criado um supertônico capilar que faz nascer cabelo até em pedra. Franjinha testa colocando uma gota na pedra e ela fica cabeluda. Quando vai pôr o tônico no cabelo do Cebolinha, a pedra volta a ficar careca e mais lisa do que era antes. Cebolinha desiste para não perder os 5 fios que ele tem.


Cebolinha diz que o jeito vai ter que desmarcar o passeio com a Pati. Cascão diz para ir assim mesmo. Cebolinha responde que que ela vai achar feio e ridículo e Cascão consola dizendo que com o tempo se acostuma. Cebolinha decide que não vai e Cascão tem a ideia de ele usar o esfregão de novo. Cebolinha adora a ideia e põe o esfregão no cabelo. Cascão pergunta se quando a Pati descobrir a mentira e Cebolinha responde que até lá já vão estar casados.


Cebolinha se encontra com a Pati e Cascão se apresenta como é amigo dele e diz que o cabelo é natural. Pati não entende nada e Cebolinha trata de sair logo antes que Cascão estrague tudo. No caminho, Pati comenta que ele mudou o penteado do cabelo e ele diz que o cabelo é fácil de arrumar e que vai mostrar para ela o campinho, a lanchonete. Não tem tempo de terminar o que estava falando porque bate uma ventania na hora e acaba voando longe o esfregão, ficando á mostra os 5 fios de cabelo.


Pati se surpreende, achando que o vento arrancou o cabelo dele e só sobrou 5 fios. Ela encontra no chão para ver se dar para colar. Quando pega ver que é um esfregão. Cebolinha fica arrasado e conta toda a verdade que queria que ela o achasse bonito e que pensasse que era cabeludo e  agora que sabe que tem 5 fios poderia rir dele. Pati diz que não ia rir, que achou uma gracinha o que ele fez por ela e ficou mais bonito assim com 5 fios e sabe por que se chama Cebolinha. Os dois passam a namorar e Cebolinha fica vermelho de tanta vergonha e Cascão comenta que ele devia se chamar "Tomatinho", terminando assim.


Uma história muito legal com o Cebolinha mentindo para sua nova vizinha que é cabeludo só para não ser motivo de piada dela e não perder a chance de namorar. Ele pensava que ao vê-lo só com 5 fios de cabelo a Pati não ia gostar. Acabou sendo o contrário e ela achou, inclusive, melhor sem ser cabeludo. A história além de ser engraçada, tem as lições de mostrar que mentir não compensa porque acabam descobrindo depois e para não se preocupar com a cabeça dos outros, com o que os outros vão pensar por aparência ou jeito de ser e com algo que nem aconteceu. No caso, O Cebolinha tinha que aceitar que ele tem 5 fios e não se importar com que a Pati e os outros pensem disso.


Engraçado ver o Cebolinha com a suas tentativas de ter cabelo a todo custo como fazer implante com as moedas do cofrinho, usar fórmula milagrosa do Franjinha, tudo sem sucesso. As tiradas do Cascão também foram legais como dizer que a Pati ia achar que foi a queda de cabelo mais rápida da história ao ver Cebolinha sem cabelo e na parte quando ele se apresentou à Pati que o cabelo dele é natural, querendo dar um toque à Pati e estragar o plano do Cebolinha.  Interessante ver o Rolo no catálogo de cabelos de implante, pena que não mostrou qual cabelo o Cebolinha escolheu para fazer implante, fica na imaginação dos leitores.

Os traços bem caprichados com direito a olhos só com risco, deixando os personagens mais fofinhos. Adorava quando os personagens só apareciam em alguns quadrinhos só com as sobrancelhas nos olhos, sem deixar com fundo branco, com a finalidade expressar sentimento com intensidade. Traços só com riscos no olho demonstrava que estavam emocionados ou bem tristes. Impublicável hoje em dia por se tratar de mentira e ainda o Cebolinha ter se dado bem no final apesar da mentira. E teve uns erros interessantes do Cascão chamar Franjinha de "Franjinho" (6ª página da história, página 8 do gibi) e o Cebolinha falar certo "Franjinha" na página seguinte e ao falar com o Cascão que depois eles conversam (9ª página da história, página 11 do gibi). Eu gostava de erros assim.


A Pati só apareceu nessa história. Poderia até ter continuado como ela sendo namorada oficial do Cebolinha ou apenas como uma vizinha do Cebolinha e contracenar com a turma como mais uma opção de menina, mas acabou sendo mais figurante como tantos outros. Em cada história desse tipo dos meninos se apaixonarem aparecia uma menina diferente.  A Pati lembra a Carminha Fru Fru, que estrearia apenas em 'Magali Nº 93', de 1993, na história "Modelo e Manequim". A princípio como uma menina rica metida e que também passou como uma menina bonita fixa para os meninos se apaixonarem. A Pati então era o posto da personalidade da Carminha.