domingo, 29 de setembro de 2013

Cascão: HQ "O menino com visão de raio X"

A história que eu compartilho é de quando o Cascão foi brincar no lixão e passou desenvolver visão de raio X. Ela é muito hilária. Tem 11 páginas no total e foi publicada em 'Cascão Nº 44' (Ed. Globo, 1988). 

Capa de 'Cascão nº 44' (Ed. Globo, 1988)

Ela começa com dois homens levando uma máquina de raio X com defeito até o lixão do bairro. Cascão vai até o tal lixão para brincar, como de costume. Ele encontra a máquina e começa a brincar de guerreiro espacial. Ao ver uma mosca, ele acaba apertando um botão da máquina e leva um choque.


Cascão fica tonto e vai embora para casa, só que aí ele começa a enxergar as coisas diferentes. Sem saber que está com visão de raio X, primeiro vê os seus pais tomando café só com roupas íntimas. Ele até pensa que os pais iam à praia, que negam. Após isso, ele sai e passa a ver também as pessoas nas ruas seminuas, o Cebolinha com cueca roxa de bolinhas e a Mônica de calcinha cor-de-rosa de rendinhas, que fica furiosa.


Após conseguir se salvar da surra da Mônica, Cascão volta para casa e o grau da visão de raio X aumenta e começa a ver através das paredes. As paredes do banheiro da sua casa somem e ele consegue ver o pai tomando banho no chuveiro (ele pensa que o pai está tomando banho com portas abertas) e vê sua mãe arrumando a cama no quarto. E vai evoluindo o grau até pensar que a casa sumiu por completo e chora.


Sem saber ainda o que está acontecendo, os pais o levam ao oculista, que também é enxergado só com cueca samba-canção. Quando o médico manda ler quais as letras que estão no quadro, Cascão lê o que estava escrito no livro da mesa que estava na outra sala. E, ao mesmo tempo, passa a ver todos completamente pelados.


O médico informa que ele desenvolveu uma visão de raio X e o cascão adora a ideia. Ele sai correndo para a rua pensando que virou um "supermenino" e quer desafiar a Mônica. Quando a xinga e ela se aproxima, junto com a Magali, Cascão vê as meninas como 2 caveiras. A sua visão de raio X já estava em estágio de último grau.


Ele passa a enxergar a todos na rua como caveira, inclusive o pai, quando ele se assusta como se estivesse num filme de terror e desmaia. Após isso, Cascão é levado para casa e quando acorda a sua visão volta ao normal. Afinal, o efeito da radioatividade era passageiro.


Já curado, ele vai a rua e encontra com a Mônica furiosa por ele ter visto a calcinha dela e por tê-la chamado de "caveira monstruosa e dentuça", e ele acaba levando a coelhada e pensa que a visão de raio X voltou por ver estrelas em plena luz do dia.

No final, os caras da primeira página jogam a máquina ao fundo do rio porque o patrão não gostou de ter deixado no lixão e se questionam se vai ter algum problema colocar a máquina dentro do rio.


Essa história é engraçada demais. Só de olhar, sem ler nada já dá para dar risada. Sempre racho de rir lendo. É engraçado ver as pessoas nuas, além das tiradas de toda a história. Muito bom saber que a nudez já foi abordada nos gibis, sem neura nenhuma, só com humor. E, por sinal, bem gostosa a mãe do Cascão.


Interessante que primeiro é mostrado como o Cascão está enxergando, e depois mostra como é a realidade, tudo na medida certa. Outro ponto não muito comum, que são mostrados 2 finais: o desfecho do Cascão vendo estrelas após a surra da Mônica e o desfecho da máquina de raio X, que estava no lixão e foi levada para o rio. Podia acabar com o Cascão vendo estrelas, que não mudaria nada. Mesmo assim, o final da máquina no rio não estraga o encanto da história.


Os traços também são muito bonitos. Curiosamente, outro fato que não existe mais atualmente é o Cascão brincar no lixão. Enfim, história sensacional que sempre vale a pena relembrar. Nas imagens da postagem, coloquei a história completa. A propósito, a capa dessa edição também é espetacular. Toda perfeita.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Os primórdios do politicamente correto

Quem acompanha os gibis atuais da Turma da Mônica, sabe que as histórias giram em torno do politicamente correto, ou seja, os personagens não podem dar mau exemplo e tem que seguir os bons costumes. Mas, muitos devem perguntar quando foi que começou a surgir isso nos gibis, já que desde que a turma foi criada e por muitos anos os roteiristas tinham total liberdade para criar as histórias.

Pensando nisso, nessa postagem separei 4 dessas situações que foram mudadas para os padrões corretos, mostrando quando foi que apareceram pela primeira vez. Vou falar do caso menos pior até o mais revoltante. 

A primeira situação é o fato do Cebolinha falar errado quando pensa. Nas histórias antigas, ele trocava o "R pelo "L",até quando pensava. Porém, nos últimos anos, a MSP o coloca falando certo quando pensa. É que quem tem dislalia como o Cebolinha pensa falando certo e não querem ensinar errado. Mas quando começou isso? Foi na história "Em boca fechada não entra mosquito", de 'Cascão nº 277' (Ed. Globo, 1997). 

Trecho da HQ "Em boca fechada não entra mosquito" - ´Cascão nº 277' (1997)

Até antes disso, o Cebolinha sempre falava errado nos pensamentos. Nessa história, quando ele cai no precipício, ele passa a falar certo. O que chama a atenção nesses quadrinhos é que parece que foi mudado isso de última hora. Dá impressão que eles chegaram a colocar primeiro a fala errada em negrito como de costume e de última hora, mudaram para ele falando certo. Ficou muito mal-feito, por sinal, com uma letra feita a mão mesmo. Perceba a diferença da palavra "supercola" e "amadurecer".

Trecho da HQ "Em boca fechada não entra mosquito" - ´Cascão nº 277' (1997)

Outro caso são as armas de fogo. Nos gibis atuais, os personagens não usam mais armas. Nem de brinquedos. Histórias como aquelas antigas ambientadas no faroeste ou brincando de bang-bang, nem pensar porque estimula violência. E o trabuco do Nhô Lau que não o largava para dar tiro de sal no Chico Bento quando ele roubava goiaba, foi aposentado. Para substituir, eles só colocam o Nhô Lau correndo atrás do Chico com a mão fechada.

A primeira vez que fizeram essa substituição, foi na história "Pegue e Pague", de 'Chico Bento nº 285' (Ed. Globo, 1997). A trama termina justamente com o Nhô Lau correndo atrás do Chico com a mão fechada em vez de estar com o seu tradicional trabuco na mão dando tiro de sal nele, como mostro abaixo:

Trecho da HQ "Pegue e Pague" - ´Chico Bento nº 285' (1997)

Em 1998, depois dessa história, ele ainda aparecia com trabuco nas histórias e até mesmo nas capas, mas não demorou muito pra ser extinto de vez nos gibis, assim como todas as armas de fogo. Não sei a data certa que foi extinto de vez, mas acredito que em 1999 mesmo, observando a história que foi republicada em "Clássicos do Cinema nº 39 - Etês na Roça". Nessa edição, republicaram a história "Um visitante do outro mundo", de 'Chico Bento nº 334' (Ed. Globo, 1999), em que o Nhô Lau aparece com uma madeira na mão em vez do trabuco. Não acredito que a cena dessa vez foi alterada, e, sim, que na revista original realmente a madeira estava lá.

Outra situação são os rabiscos nos muros. Desde que foram criados, os meninos escreviam desaforos ou faziam sua caricatura diretamente nos muros do bairro. Só que para atender o politicamente correto, os personagens agora colocam cartazes no muro para não sujar os muros e não dá mau exemplo. Acho uma das piores coisas que fizeram porque estraga as histórias e não faz sentido os muros já terem cartazes para eles rabiscarem.

A primeira história que apareceu cartaz no muro para tirar sarro da Mônica, foi em 'Cascão nº 270' (Ed. Globo, 1997), na história "Pagando o pato". Nela, Cascão vê um cartaz com caricatura da Mônica em vez de estar desenhada direto no muro e ele leva a culpa. Ficou muito estanho vendo isso pela primeira vez. E, ainda por cima ficou mal feito essa estreia do cartaz: em um quadrinho aparece o cartaz e no outro já não está mais lá, sumindo como um passe de mágica. Ridículo. 

Trecho da HQ "Pagando o Pato" - ´Cascão nº 270' (1997)

Em outras histórias de 1997 depois dessa até que ainda apareciam eles rabiscando o muro, porém, no final do ano, em 'Mônica nº 131' e depois na 'nº 133' já tem histórias como Cebolinha colando cartaz no muro, e depois disso nunca mais rabiscarem como antigamente. Eram os novos tempos. Pelo menos nos primeiros anos, eles colavam os cartazes trazidos de casa e agora, eles rabiscam como se o cartaz já estava colado lá.

Trecho da HQ "O Resgate" - ´Mônica nº 131' (1997)

E, pra piorar, em 1998, colocaram ainda uma propaganda tosca nos gibis, comunicando oficialmente que eles não iam mais rabiscar os muros porque é errado. Deviam estar recebendo muitas cartas reclamando dos tais cartazes e quiseram dar uma satisfação decretando o fim dos rabiscos e pichações nos muros. Abaixo, a imagem dessa propaganda histórica:

Propaganda tirada de 'Cascão nº 306' (1998)

Foi tratado como "lei". Apesar disso, mesmo que nas revistas normais eles não rabiscavam mais os muros, nos almanaques da Globo eram republicadas normalmente exatamente como na original. Só que agora nos almanaques da Panini atuais, eles alteram tais cenas, colocando cartaz aonde não existia nas originais.

O último caso que comento nessa postagem é sobre o Cascão lavar as mãos. Antigamente, ele não tinha contato nenhum com água. Nem para comer ele lavava as mãos, como, já falei aqui no blog da história "A fome", de 'Cascão nº 70' (Ed. Globo, 1989). Um menino como o Cascão que não toma banho é completamente errado, e, pelo menos têm que lavar as mãos para comer para não dar mau exemplo total.  Então, eis que em 1998,  fazem uma capa da revista dele lavando as mãos. Foi em 'Cascão nº 299'. Revoltante!

Capa de "Cascão nº 299' (1998)

O personagem que a gente gostava tanto, que sempre conseguia escapar do banho e da chuva, se sujeitando a lavar as mãos só para atender os padrões do politicamente correto. E parece que tiveram histórias de ele lavando as mãos depois dessa capa. Um absurdo. 

Por causa disso, os estúdios receberam várias cartas e e-mails de fãs indignados reclamando sobre essa capa. Para amenizar um pouco a situação e o trauma de tanta gente, em 'Cascão nº 9' (Ed. Panini, 2007), eles criaram a história "O mistério do personagem que lavou as mãos", com o Mister B desvendando tal mistério. 

Capa de 'Cascão nº 9' (2007)

Então, foi mostrado nessa história que quando o Cascão lava as mãos ou se molha nas histórias, é o Xaveco que está disfarçado de Cascão, sendo um dublê do Cascão. No caso, quem estava então na capa de 'Cascão nº 299' era o Xaveco, e não o Cascão. Isso só para dar uma desculpa humorada, porque não era essa a intenção quando fizeram aquela terrível capa de 1998.

Então, como podem ver são casos lamentáveis que tiram a essência do que já foi a Turma da Mônica um dia. Depois disso, só foi piorando o politicamente correto, a ponto de agora alterarem até nos almanaques o conteúdo das revistas originais. Tudo isso que falei são alterados nos almanaques, estragando as histórias.

Como queria mostrar só a primeira vez que tiveram cenas atendendo o politicamente correto, muitos outros casos ficaram de fora. Como não acompanhei por ter parado de colecionar em 1998, coloquei só estes que encontrei. Pelo menos, até onde parei, ainda existiam os demais casos  nos gibis. Menos mal.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

HQ: "Chico Bento, O Rezador"

Publicada em Chico Bento nº 67 (Ed. Abril, 1985), "Chico Bento, o Rezador" é um clássico do personagem muito lembrado pelos fãs e é sobre essa história que eu falo nessa postagem.

Capa de Chico Bento nº 67 (Ed. Abril, 1985)

Uma "preta velha", chamada Nhá Belarmina, ensina umas rezas ao Chico antes de ela partir, e disse para ele nunca rezá-las até chegar a hora certa, e, principalmente, nunca podiam ser feitas a favor de si próprio, só para os necessitados. 


Chico sai de lá e vai para casa ansioso porque a Rosinha iria visitá-lo, só que ela não parece e ele fica triste, pensando que ela não gosta mais dele. Ele não consegue dormir e lembra das rezas da Nhá Belarmina. Chico pede desculpas por estar fazendo a seu favor e executa as tais rezas, que fazem com que o seu espírito vai até a casa da Rosinha enquanto dormia para avisá-la de passar na casa dele de manhã cedo e passar o dia inteiro juntos e enquanto eles tiverem vida.


 No dia seguinte, quando Chico acorda, a Rosinha está na frente da casa dele como se estivesse possuída, hipnotizada. Começa a falar que ficará junto dele para toda vida. No início ele gosta, mas começa a achar estranho Rosinha repetir o que ele falava e ficar balbuciando palavras desconexas. 

Como, ele lembra que tem ir para escola e ajudar o pai no roçado e percebe que não podem ficar juntos naquele dia, ela vai andando e subindo um morro em direção a um penhasco para se jogar, repetindo "Vida, inté que tivé vida". Afinal, se não podem ficar juntos, "não carece di tê vida". Aí, Chico descobre que tudo é culpa das rezas, se sente culpado e tenta lembrar como desfaz. Então, quando Rosinha está quase caindo do penhasco ele consegue desfazer tudo. Ela volta, sem saber porque estava à beira do precipício e encontra Chico chorando.


Ele pergunta a Rosinha se está com raiva dele, ela diz que gosta muito dele e faz um discurso que na idade deles não pode passar disso, eles tem que estudar, trabalhar e quando chegar a hora pode casar. No final, a "preta velha", já sabendo de tudo que aconteceu, aparece dizendo que o Chico aprendeu a lição e só vai querer usar as rezas no tempo certo. Finalmente, ela poderá voltar para a velha África.


Uma história bem profunda, dos velhos tempos da MSP. Ela tem 14 páginas e é sensacional. Assim como a história "Parece outro" é uma daquelas histórias de 1985 com temas sérios e filosóficos muito comuns nas revistas daquele ano. Tudo feito na medida certa. Chico fez coisa errada e se sentiu culpado pela sua namorada querer se jogar no penhasco e se arrependeu profundamente no final, com bela lição de moral, como deve ser. 


Na época, não gostava de histórias sérias assim, preferia histórias de humor. Com o tempo passei a gostar de histórias assim, afinal, serve para variar um pouco e permite as crianças a pensar um pouco. Mesmo assim, ainda prefiro as divertidas.  

Só não gostei muito do enquadramento dessa história ter só 4 quadrinhos por página. Em certos momentos, podia ser redesenhado na forma tradicional de quadrinhos com 2 colunas. Pelo menos, só em histórias filosóficas tinham enquadramento assim na época, diferente dos gibis atuais em que qualquer história pode ficar assim para encher linguiça. 


Umas pistas para saber se era uma história séria desse tipo, e de 1985, eram o enquadramento desse jeito, aliados aos traços e o brilho dos cabelos dos personagens que passaram a colocar azul em vez de branco naquele ano. Cabelos assim com brilho azul, só nas histórias dos gibis de 1985, depois permaneceram assim só com o Papa-Capim. Quando via isso, eu já sabia que era história desse nível e de 1985.


Curiosamente, a Nhá Belarmina não apareceu em outras histórias anteriores nem posteriores a essa. Na postagem não coloquei a história completa. Eu a li pela primeira vez quando foi republicada no Almanaque do Chico Bento nº 32 (Ed. Globo, 1995):

Capa de Almanaque do Chico Bento nº 32 (Ed. Globo, 1995)

sábado, 21 de setembro de 2013

Tirinha nº 6: Magali

A gula da Magali sempre foi tratada com exageros. Para dar graça, costumavam colocar absurdos em suas histórias e que faziam toda a diferença. Nessa tirinha sensacional que eu mostro, não foi diferente.

Nela, Magali, com apenas uma mordida, come o picolé todo e, de quebra, engole o Cebolinha inteiro de uma vez só. Isso porque era só uma mordidinha.  Muito engraçada. 

Tirinha foi publicada originalmente em Magali nº 10 (Ed. Globo, 1989).


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Mônica nº 81 e a realidade aumentada


Já nas bancas a edição Mônica # 81 da Panini. Uma edição comemorativa em homenagem aos 50 anos de criação da Mônica. E faço uma resenha a respeito dela nessa postagem.

Com 11 histórias no total, contando com a tirinha final, essa edição tem 108 páginas, 24 a mais do que os outros gibis dela, e com o mesmo preço. Diferente da Mônica # 75, que também veio com 108 páginas, essa atual edição fez jus ao número maior de páginas. É que em Mônica # 75, saíram muitas propagandas além do normal, então no total ficaram as mesmas 84 páginas de antes. 

Já agora em Mônica # 81, o número de propagandas foram o mesmo das outras edições, então realmente tem mais páginas de histórias. Não sei se só essa edição que terá 108 páginas, ou se irá permanecer nas próximas. Acho que será só essa. Uma justificativa para isso é que a história de abertura teve 48 páginas e eles queriam que a edição tivessem a mesma quantidade de histórias que normalmente vem.

A edição abre com a história comemorativa "O coelhinho amarelo". Para quem não sabe, nas primeiras tiras dos anos 60, o coelhinho da Mônica era amarelo, baseado no coelho da Mônica verdadeira que ganhou do pai. Ela ganhou o coelhinho azul quando foi ao programa da Hebe, então  a partir daí nos quadrinhos passou a ser azul também. Pensando nisso, o estúdio criou essa história, mostrando a origem e como foi que a Mônica ganhou o coelho amarelo.

A história começa com os personagens chegando na casa da Mônica (os 4 principais, além de Denise e Xaveco), para se reunir e relembrar de fatos passados com eles. É falado que todo mês eles se reúnem lá para isso, levando os objetos que fizeram parte e referência às histórias. Achei uma boa sacada isso, mostra a Magali levando a Lagosta Lalá (Magali # 194 - Ed. Globo, 1996), o Cebolinha levando a flauta que atraía bichos (Cebolinha # 6 - Ed. Abril, 1973), entre outros. Então, a Mônica surge com o coelho amarelo e todos querem saber como ela o ganhou.

Trecho da HQ "O coelhinho amarelo"

Antes dela contar a sua história, cada personagem conta a sua versão de como acha que ela ganhou o tal coelho amarelo e só depois ela conta a história. O que posso dizer é que mexem com fantasia e planeta de coelhos. Até que não achei ruim a história. Achei interessante. Lógico que não foi contada daquela maneira que ela ganhou o coelho realmente, é só ficção, mas vale pela fantasia. Só os traços dos personagens na história são um tipo que não gosto muito, mas pelo menos não são digitalizados, como nas outras histórias.

Já o resto do gibi é que não posso dizer que está tão legal. Cada vez mais com histórias com os péssimos traços e letras digitalizados. Tudo normal para os padrões atuais. Dessas 11 histórias, apenas a de abertura, do Piteco, do Penadinho e a tirinha final que não são digitalizados, sendo que as histórias do Piteco e Penadinho são mudas, então letras feitas à mão só encontramos na abertura e na tira. Inclusive, essa tirinha final é bem legal, fazendo referência a primeira tira da Mônica de 1963. Abaixo, um trecho da história "Eu duvido", com traços e letras digitalizados que eu falo:

Trecho da HQ "Eu duvido", com traços e letras digitalizados

Falando em Penadinho, não gostei da história. Trata-se de 5 páginas sem texto, mostrando os personagens imaginando sua versão assustadora. Mas vale para eu ter algum material do novo personagem da turma dele, o Monstrengo do Pântano. Ele tinha estreado em 2012, em "Mônica # 71", que não tinha comprado porque achei a revista em si chata e não ia comprar só por causa de 1 história, além de não saber que ele se tornaria um personagem fixo. Ele tem aparecido com frequência, mas ainda não tinha comprado também as outras revistas que apareceu, pois as revistas não me agradou. Aqui a imagem desse novo personagem.

HQ do Penadinho, com o personagem Monstrengo do Pântano

O gibi ainda tem uma história do Bidu que não gostei, que mostra os bastidores de como os objetos falam nas suas histórias. Tem ainda uma da Marina, esta com uma história ensinando lição de moral par ao Franjinha. A história de encerramento, "Argumentos" em que Cebolinha põe na cabeça da Mônica fazer argumentos em vez de dar coelhadas nos meninos, tem cena lamentável do Titi desenhando a Mônica no muro em um cartaz, em vez de rabiscar direto no muro como antigamente. Nunca me acostumei vendo esses cartazes nas histórias, acho ridículo. 

Trecho da HQ "Argumentos"

Curiosamente, na propaganda do dossiê "Arquivo Mônica 50 Anos" sobre filmes, há erros nas datas de alguns filmes: "A princesa e o Robô" não é de 1982, como informa o dossiê, e, sim, é de 1983, sendo que foi lançado nos cinemas em janeiro/1984. "Mônica e a sereia do rio" é de 1987, e não 1986 como fala no texto. E ainda falam que depois de "Estrelinha Mágica" (1988), a turma só voltou às telas do cinema no filme "Uma Aventura no tempo" (2007), mas, na realidade, o "Cine Gibi 1", de 2004, foi filme de cinema.

Outro ponto comemorativo nessa edição é a realidade aumentada na capa, assim como os demais gibis de setembro. Desenvolvido para smartphones e tablets, o leitor baixa o aplicativo "Mônica 50 Anos" e com posse da revista, verá uma animação do personagem da revista, como se estivessem saltando para fora do papel. Se comprar as 4 revistas de "nº 81" que tem as capas em realidade aumentada (Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali), verá ainda uma 5ª animação com todos os personagens reunidos. Lembra o 3D Virtual das revistas dos anos 90, mas para ver a novidade atual, será preciso ter um smartphone ou tablet

Eu acho que foi uma estratégia para chamar atenção da garotada e conseguir vender mais. Afinal, o que atrai as crianças e os jovens atualmente são as tecnologias. Acho que estimular o consumismo, pois vai  incentivar as crianças pedir que os pais comprem smartphone só para ver essas animações em realidade aumentada. Nas revistas em 3D, não precisava de auxílio de dispositivos móveis, apenas comprar as revistas. Como eu não tenho smartphone nem tablet, nem vai dar para eu ver a realidade aumentada dessa revista da Mônica e, mesmo se eu tivesse, não compraria as outras do mês por causa disso.

Propaganda da página 2 sobre a realidade aumentada

Acredito que juntando as 4 revistas, a animação será a mesma da propaganda que está vindo nas revistas. Apesar que na capa fala que tem instruções da realidade aumentada dentro da revista,  fala apenas na propaganda  que saiu na página 2 de cada revista, que é para entrar no site da Panini para saber como funciona. Não sei se essa novidade virá só nas revistas desse mês ou terá em outras edições. Acho que será só nesse mês mesmo, ou no máximo até o final do ano, já que na propaganda fala que é em comemoração dos 50 anos da Mônica. Se bem que se for sucesso de vendas, é bem capaz de continuar, sim.

Enfim, esse gibi da Mônica vale mesmo pelo valor comemorativo dos 50 anos da Mônica, sobretudo pela história de abertura que é a comemorativa da edição. Para quem gosta de colecionar edições históricos é válido. Como gosto de colecionar edições especiais, tinha que ter na coleção.

Para finalizar, sobre as outras revistas de setembro, não comprei, já que nada me agradou e não vou comprar só por causa de uma capa em realidade aumentada. A menos pior que folheei foi da Magali, que tem uma história do roteirista Emerson Abreu na abertura, com o suposto namoro da Magali e Cascão e chifrando Quinzinho e Cascuda, seus respectivos namorados. Por um lado, os traços e letras não são digitalizados nessa história, por outro, tem aquelas caretas excessivas e enquadramento de 4 quadrinhos por página que eu não gosto. 

domingo, 15 de setembro de 2013

Personagens Esquecidos 2: Os Souza



Os Souza foi um núcleo de personagens criados em 1968 e que foram esquecidos pela MSP. Tratava-se de uma família convencional e suas histórias se tratavam da realidade familiar da época, todas as suas rotinas, problemas financeiros e conflitos. 

A família era composta pelo chefe da família, o Souza, que trabalhava em um escritório, e passava por vários problemas; a esposa dele com seus conflitos domésticos; e o Mano, irmão do Souza, um cara folgado que vivia às custas do irmão. Além de trazer problemas a ele e dar em cima da cunhada, não queria nada com trabalho, era mulherengo e não queria se casar de jeito nenhum.

Faziam piadas com inflação, alta da gasolina, aluguel, violência, etc. Enfim, tudo que tirava o sono dos brasileiros na época (e que tiram até hoje) era motivo de piada. E sempre tratado com muito bom humor e com várias cenas incorretas.Muitas situações nas primeiras tiras foram vividas pelo Maurício na vida real. Nunca foram revelados os nomes verdadeiros deles (pelo menos no material que eu tenho), principalmente o da esposa, sendo só chamados de "Souza" e o Mano era chamado assim quando o seu irmão falava com ele.   

Inicialmente, apareciam exclusivamente em tiras de vários jornais do país, como "Folha de São Paulo" e "Folha da Tarde'. Anos mais tarde, passaram ter histórias nos gibis convencionais, publicadas nos anos 80 nas revistas da Mônica e do Cebolinha. Normalmente, de 1 ou 2 páginas, mas também tinham histórias mais desenvolvidas. Abaixo, uma história deles, publicada em Mônica nº 163 (Ed. Abril, 1983):

HQ publicada em Mônica nº163 (Ed. Abril, 1983)

A última história inédita deles foi publicada em Cebolinha nº 16 (Ed. Globo, 1988). Na trama, Mano finalmente decide que vai se casar. Todos ficam surpresos com a notícia e nem acreditam, já que ele sempre fugia de casamento. Ou seja, foi considerado "o casamento do ano". 

Última HQ: publicada em Cebolinha nº 16 (Ed. Globo, 1988)

Quando todos estão na igreja, bem na hora do casório e o padre fala se alguém tem algo a declarar, Mano fala que é "Primeiro de Abril". Depois dessa, nunca mais tiveram histórias inéditas nos gibis.

Última HQ: publicada em Cebolinha nº 16 (Ed. Globo, 1988)

Porém, Os Souza ainda tiveram tiras de jornais sendo publicadas até em 1989, e suas histórias continuaram a ser republicadas nos almanaques de 1989, como no "Almanaque do Cebolinha nº 5" e "Almanaque da Mônica nº 11", entre outros. A última republicação foi no final de 1989 no "Almanacão de Férias" nº 6. Nessa história , Souza entra de férias e todo animado dá a notícia para sua esposa e ele acaba passando as férias ajudando nas tarefas domésticas. Segue abaixo essa última história republicada:

Última HQ republicada -  Almanacão de Férias nº 6 (Ed. Globo, 1989)

Depois dessa republicação, já sem tiras novas e muito menos histórias nos gibis ficaram de vez no limbo do esquecimento e a partir daí ninguém mais ouviu falar deles. Porém, recentemente, o Mano apareceu em uma participação especial na história "A história hoje, é sua!", publicada em "Mônica nº 57" (Ed. Panini, 2011), que foi uma homenagem ao irmão roteirista do Maurício, o Marcio Araujo, que tinha falecido há pouco tempo, até então. Na trama, tem presença de vários personagens que o Marcio criou, e o Mano é um deles.

Trecho da HQ "A história hoje, é sua!" - Mônica nº 57 (Ed. Panini, 2011)

Antes disso, em 2010, a editora L&PM lançou o pocket "Os Sousa - Desventuras em família", reunindo as principais tiras dos jornais entre 1968 e 1989. Um presente para os fãs, que aguardam algum material de "Os Souza" há anos.

Capa do pocket da L&PM, de 2010

Esse pocket foi composto de 240 tirinhas, sendo 2 em cada página. Todas sensacionais, uma melhor que a outra, com várias situações incorretas, principalmente por parte do Mano. Curiosamente, esse pocket seria lançado pela Panini em 2009, só que de última hora foi cancelado e esse título (assim como outros 4 títulos) foram lançados pela L&PM. Mais detalhes aqui.

Uma página do pocket da L&PM "Os Sousa"

Só que erraram nesse livro a grafia "Souza". No pocket, escreveram o nome com "S" na capa, quando na verdade, se escreve oficialmente com "Z". A intenção, quando criados, era para diferenciar do "Sousa" do Maurício. Com isso, nesse pocket alteraram também todas as tiras que apareciam "Souza" no original, para "Sousa". É difícil algum material de republicação atual da MSP que não tenha alguma alteração.

Uma tirinha, com grafia "Sousa"

Não sei o motivo que a MSP deixou de lado de continuar a produzir tiras de "Os Souza". Talvez, por causa do excesso de trabalho do estúdio e cada vez mais deixaram de produzir tiras deles até acabar de vez. Ou então resolveram excluir personagens com temáticas mais adultas. Até porque nos gibis é óbvio que acabou pelas histórias serem adultas e incorretas demais para gibi infantil. 

Termino a postagem, com algumas capas dos gibis que tem as histórias que ilustram essa postagem.


Capa de Mônica nº 163 (Ed. Abril, 1983)
Capa de Cebolinha nº 16 (Ed. Globo, 1988)




Capa de Almanacão de Férias nº 6 (Ed. Globo, 1989)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Cebolinha: HQ" De Artista e de Louco..."

As histórias do Louco sempre foram ótimas. E essa história que eu destaco não é diferente. Mostra o sufoco que o Cebolinha passou com o Louco quando foi visitar um museu. Ela tem 6 páginas e foi publicada em Cebolinha nº 80 (Ed. Globo, 1993).

Capa de Cebolinha nº 80 (Ed. Globo, 1993)

Na trama, Cebolinha está visitando um museu quando vê um quadro e eis que de repente surge o Louco pelado saindo do tal quadro para o desespero do Cebolinha. Ele fica com vergonha vendo o Louco pelado e tapa os olhos, e o Louco tapa também pensando que estava brincando de adivinhação. O cebolinha fala que tapou os olhos porque estava pelado, e o Louco mostra que quem pegou suas roupas foi a estátua, que estava viva.


Cebolinha manda o Louco sair de trás dele, aí ele pergunta se pode ficar na frente. Irritado, fala que não quer vê-lo em lugar nenhum, aí o Louco coloca um óculos escuros nele. Cebolinha fala que vai perder a cabeça, aí vem o maior absurdo: Louco arranca a cabeça dele e começa a jogar basquete com a cabeça pelo museu inteiro.


Quando recupera a cabeça, Cebolinha fala com todas as letras que quer que o Louco desapareça e ele some. Só que volta a parecer nos quadros do museu, parodiando obras famosas, como Monacrespa (Monalisa) e Dicasso (Picasso).

Então, o Cebolinha fica desesperado e corre pedindo socorro pelo museu e no caminho a estátua o vê. No final, o Cebolinha encontra os guardas, fala que tem um louco no museu, mas como estava só com uma cueca de bolinhas, os guardas pensam que o louco era ele e é levado para o hospício. E os leitores descobrem que quem pegou as roupas do Cebolinha foi a estátua.


Na postagem coloquei a história completa. Ela é muito engraçada. E como de costume, Cebolinha enlouquecendo e se dando mal no final do jeito que eu gosto. Histórias com o Louco são assim mesmo tudo sem nexo, cheio de absurdos e nonsenses e isso que é a graça. Onde já viu tirar a cabeça do Cebolinha e jogar basquete com ela? É muita loucura. Interessante ver o Louco parodiando as obras famosas. Essa história não foi de abertura do gibi, e, sim, de miolo. Aliás, são poucas histórias que o Louco teve como abertura, a maioria são de miolo mesmo.


Gosto, principalmente, histórias desse tipo quando fica a dúvida se o Louco existe mesmo ou se tudo foi imaginação do Cebolinha, ficando o leitor a decidir. Quando sabem que ele existe, acho que perde um pouco da graça. E acho que, sem dúvidas, é melhor o Louco perturbando o Cebolinha do que com outros personagens. Nos anos 70, tiveram histórias que deu um tempo com o Cebolinha e perturbava no lugar o Bidu ou a Mônica, mas não tinha o mesmo brilho do que enlouquecendo o Cebolinha.


Como curiosidade, em relação a capa, foi a última capa do Cebolinha sem código de barras, já que a partir da edição nº 81, assim como todas as revistas a partir de setembro/ 93, passaram a ter código de barras na capa.