terça-feira, 29 de abril de 2014

Coleção Histórica Nº 40


Nessa postagem comento sobre a Coleção Histórica # 40, formada pelas 5 revistas números 40: Mônica (1973), Cebolinha (1976), Chico Bento e Cascão (1984), e Magali (1990).

Na capa dessa vez é a Tonica, prima do Cascão, dos primórdios da MSP, com imagem tirada da história "A dona da rua", de Mônica # 2 (Ed. Abril, 1970). Nesse volume marca sendo o o último gibi da Magali de 1990, e, consequentemente o último dela dos anos 80. Estamos desde 2010 só com edições dela de 1990 e só agora terminou.

Curiosamente que as revistas desse volume tiveram formato diferente. A largura do gibi da Mônica veio 0,3 centímetro menor, enquanto que os gibis do Cascão e da Magali vieram com a altura 0,3 centímetro maiores em relação aos outros. Parece pouca coisa, mas deu pra perceber a diferença. Aliás, sempre achei que o formato dos gibis da Mônica e Cebolinha tinham que ser maiores que os outros para ficarem iguais como eram nos anos 70, que tinham altura 2 cm maiores e acho que na CHTM devia ser assim também para ficarem iguais às originais.

Muito boa essa edição, eu só não posso dizer da distribuição que está cada vez pior. Já costumam chegar nas bancas sempre de um mês para o outro, o que já é errado. A CHTM # 39 mesmo, original de janeiro, só chegou nas bancas dia 05/02. Só que esse volume # 40 extrapolaram no atraso. Originalmente é de março, mas só chegou aqui no meu bairro dia 22/04, um mês depois do lançamento real, e mesmo assim só 1 exemplar em 1 só banca. Na outra banca que vende, até agora nada. 

Nunca atrasou tanto desde que passou a vender aqui. Assim fica difícil acompanhar a coleção. Dá impressão que querem forçar o pessoal fazer assinatura, e isso não faço porque além do pacote vir junto com a terrível Turma da Mônica Jovem e aturar todo mês TMJ não dá, tem o fato que tem meses que nem recebe CHTM e ainda não tem garantia de receber no prazo, visto que vejo muita reclamação por aí sobre assinaturas da Panini. Prefiro comprar nas bancas, mesmo superatrasado como foi dessa vez e não recomendo assinatura.

Outro ponto ruim da distribuição é que não são todas as bancas que vendem e poucos exemplares cada uma. No meu bairro só 2 bancas que vendem, e ainda assim com essa limitação de 1 ou 2 exemplares por banca. O ideal eram todas as bancas vendessem com tiragem igual a qualquer gibi. Não entendo essa distribuição tão horrorosa da Panini. Enquanto isso, as mensais convencionais chegam em todas as bancas e com grande tiragem. Vai entender.

A seguir, comento cada revista separada desse box, destacando o título e sinopse das histórias de abertura de cada uma e o que for relevante em cada revista.



Histórias de abertura e comentários gerais:

Mônica - "Olho por olho" - Cebolinha resolve xingar a Mônica de bicicleta e ela começa a persegui-lo intensamente de todas as maneiras para bater nele.

A história de abertura foi curta de 5 páginas, o que era normal de acontecer na época. Aliás, a maioria das histórias desse gibi foram curtas, tudo variando entre 4 a 6 páginas cada um, prevalecendo 5 páginas. A única mais desenvolvida foi a do Astronauta com 14 páginas.  

Como destaque, a história "A Datilógrafa", em que a Mônica ganha uma máquina de escrever e faz questão de mostrar para os meninos que sabe digitar nela. É interessante a máquina de escrever estar extinta atualmente e é bom ver roteiro datado assim. Todas as histórias que foram comentadas foram escritas pelo Maurício, mas nem todas informam quem desenhou. E na história do Chico Bento não há informação de crédito nenhum.

Cebolinha - "Jacaré de estimação" - Um caminhão do Zoológico deixa cair na rua um filhote de jacaré, que vai parar debaixo da cama do Cebolinha. Ele, então, passa a cuidar do jacaré dando o nome de Onofre, pensando que é uma lagartixa, e quando cresce causa confusão.

Essa história virou desenho animado em 1987, no filme "Mônica e a sereia do rio", com o mesmo roteiro, sendo que no filme o final foi alterado em relação à história do gibi por ser politicamente incorreto.

Na história "Loucuras do Louco", ele aparece com camisa rosa e calça vermelha, ou seja, com cores invertidas que estamos acostumados. Nessa época, ele começou a aparecer assim em algumas histórias mesmo. Essa história até eu já conhecia republicada, e parece que a partir de agora já vou começar a lembrar também de algumas histórias do Cebolinha que foram republicadas nos almanaques da Globo.

Trecho da HQ "Loucuras do Louco"

De destaque a história "Elton Rolo John", em que o Rolo quer se tornar um cantor famoso de rock, igual ao Elton John e para mostrar isso a Tina, ele apronta muito com ela, com muitas cenas de pastelão, tão característico nessa fase deles, que já estavam menos voltadas ao mundo hippie.

Trecho da HQ "Elton Rolo John"

Tem história bacana da Magali nesse gibi, "Magali, a faminta", até longa, por sinal, em que a Magali passa a ficar com boca enorme e comer tudo pela frente depois de usar uma fórmula misteriosa do Franjinha por engano. O que é de estranhar um pouco porque histórias da Magali eram raras e quando tinha eram nos gibis da Mônica.

Sobre créditos das histórias, de 10 histórias comentadas, só a de abertura teve créditos completos de nome de roteiristas, desenhista e arte-final. Nas outras, faltaram pelo menos uma informação dessa e em 4 histórias não informaram crédito nenhum.   

Chico Bento - "Vai tomar banho" - Chico toma banho de bacia e ao perceber a Rosinha se aproximando da sua casa, ele faz de tudo para que ela não o veja pelado.

Apesar de prevalecer o caipirês da época, no primeiro quadrinho, alteraram a fala do Chico de "percurano", como era na original, para "percurando". Porém, no quadrinho a seguir e na história "A língua" ele fala os gerúndios como foi publicado na revista original de 1984.

Trecho da HQ  "Vai tomar banho!"

Como destaque a história "Um correio muito bagunçado", em que o Chico manda um pombo-correio enviar uma carta para Rosinha e o pombo só envia para as pessoas erradas. Muito engraçada e a arte muito boa também. Lembrando que atualmente não tem histórias com pombos, então se torna incorreta também. Aliás, esse gibi todo do Chico é incorreto.

Nos comentários,  não informou nome do roteirista na história "Os perigos da noite". Uma coisa boa que não colocaram no rodapé das páginas os nomes do personagem junto com a numeração (tipo, "CHICO BENTO - 3"). Isso não existe mais nos gibis do Chico Bento e nem do  Cascão desde novembro de 1983, e eles insistiam em continuar colocando. Finalmente tiraram, deixando como foram nas originais, como tem que ser. O mesmo vale par ao gibi do Cascão.   

Cascão - "O poder da concentração total" - Cascão inventa que não sente dor ao pisar em um prego e tem o poder de concentração ao Cebolinha e, com isso, os meninos mandam que o Cascão fique sentado em tachas de pregos que nem um Faquir.

De destaque, a história "O fantasma do Fantasmo" do Penadinho com o super-herói Fantasma que morre e vira fantasma. Era muito comum histórias com super-heróis na época.

Trecho da HQ "O fantasma do Fantasmo"

Nas histórias "Vida de índio" e "O engraxado", do Bidu, não informam créditos de roteiristas nelas. Aliás, falando em comentários da história do Bidu fiquei sabendo que nos gibis atuais, eles não fazem mais histórias e tiras evolvendo trocadilhos por causa do mercado internacional. Logo os trocadilhos que eram a marca registrada também estão de fora atualmente. Não gostei. É cada coisa...

Magali - "Um sujeito misterioso" - O diabo disfarçado tenta convencer a Magali a assinar um contrato para ela vender a sua alma.

Termina os anos 80 com uma história curta de 5 páginas, muito comum na época. E impublicável, já que não existem mais histórias com diabo.

Já na história "Plano comestível", em que o Cebolinha faz um plano para a Magali diminuir seu apetite, é de quando os personagens não tinham data fixa de aniversário e em qualquer edição e em qualquer mês eles podiam ter histórias desse tema, e ainda assim eram bem raras. Com isso, o Cebolinha fez aniversário nessa história em dezembro. Atualmente a data é fixa de 24 de outubro e em todos os anos os gibis de outubro do Cebolinha tem histórias de aniversário dele.

Na história "Sincera Demais", em que a Magali faz fofoca de todo mundo, temos a presença da Denise bem diferente da atual, já que na época em cada história ela tinha um visual diferente. Nessa história, mudaram muito a colorização do cabelo do Quinzinho. Na original, o tom era claro e agora colocaram um marrom escuro bem forte, diferenciando completamente da original. Tinham que colocar da cor que ficou o da Denise nessa edição, já que na original os 2 ficaram com a mesma cor do cabelo. Abaixo uma comparação das 2 revistas, sendo a imagem da esquerda a original de 1990 e a da direita a da CHTM # 40:

Comparação da HQ "Sincera Demais": cor do cabelo do Quinzinho diferente

Ainda vemos a Mônica falando Droga e chamando o Cebolinha de peste, coisa que não existe atualmente. Ainda bem que não alteraram isso nessa CHMT:

Trecho da HQ "Sincera Demais"

O que chama a atenção também foi a capa dessa da Magali da Coleção Histórica que também não gostei. Tiraram o degradê que tinha na original e mudaram o tom do rosa deixando em um tom salmão. E o tom do verde no logotipo também foi alterado. Ficou toda completamente diferente da original assim e mudou pra pior. Além disso, colocaram o selo da CHTM e da editora ao lado do logotipo, sem necessidade, com tanto espaço para encaixar. Desse jeito, o logotipo fica menor e diferenciando da original também. E a proporção do desenho ficou maior nessa CHTM. Como conseguem estragar uma capa tão bonita. Abaixo, a comparação das 2 capas. A de 1990 é infinitamente melhor:

Comparação entre as capas de 1990 e da CHTM # 40

Como esse foi o último gibi da Magali de 1990, a partir do próximo número e nos próximos 4 anos os gibis da Magali na CHTM serão de 1991. Então, que venha 1991!

domingo, 27 de abril de 2014

Capa da Semana: Mônica Nº 86

Há pessoas que ao varrer a casa, esconde toda a sujeira debaixo do tapete. Como a Mônica é forte, ela faz diferente e esconde a sujeira debaixo da própria casa, conseguindo levantá-la só com uma mão. Muito boa.

A capa dessa semana é de 'Mônica Nº 86' (Ed. Abril, Junho/ 1977).


sexta-feira, 25 de abril de 2014

As Melhores Tiras do Nico Demo - Editora Globo


Há algum tempo, falei sobre o personagem Nico Demo e na ocasião eu não tinha o livro "As Melhores Tiras do Nico Demo" lançado em 2003 pela Editora Globo. Consegui comprar na internet e nessa postagem comento como foi esse livro especial.

Estava à procura desse livro e consegui comprar no site "Estante Virtual" indicado pelo amigo Kleiton Gonçalves quando fiz a postagem sobre o personagem. O livro custou R$ 16,00 mais R$ 4,00 de frete, totalizando R$ 20,00. Pela raridade e ótimo estado de conservação que se encontra não achei caro, é como se estivesses comprando "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" da Panini que custa R$ 19,90 cada volume. Por isso agradeço mais uma vez ao Kleiton pela indicação. 

"As Melhores Tiras do Nico Demo" se torna raro porque foi recolhido nas livrarias quando a turma mudou de editora. Todos os livros lançados pela Editora Globo nos últimos anos, como "As primeiras histórias da Mônica", "Coleção Um Tema Só" versão livraria, reedição da Mônica nº 1 da Ed. Abril, reedições de "Maurício 30 anos", "Mônica 30 Anos", "35 Anos" e "40 Anos" e "Coleção As Melhores Tiras" da Mônica, Cebolinha e Cascão. Tudo foi recolhido no inicio de 2007, quando mudaram para Panini. Por isso são atualmente itens de colecionadores. Já livros lançados pela Panini continuam vendendo até hoje, alguns sendo encontrados em livrarias físicas ou são encontrados mais fácil na internet, muitos até ainda com preço original ou mais barato. Por exemplo, livros "Maurício de Sousa Biografia em Quadrinhos" e "Turma da Mônica Mágico de Oz" ainda vendem até hoje.

Contracapa

Esse livro "As Melhores Tiras do Nico Demo" tem capa cartonada e papel de miolo offset, 96 páginas e com formato retangular 13,5 x 21 cm. Era bem semelhante aos livros de tiras "As Melhores Piadas" da Editora Abril dos anos 70. Abre com um frontispício com o Mauricio falando sobre o personagem e porque teve que deixá-lo de lado. Interessante a ilustração que colocaram o Nico Demo desenhando bigode na foto do Maurício. 

Frontispício do livro

A seguir vem as tirinhas. Em cada página, vem 2 tirinhas, totalizando 182 tiras publicadas originalmente em jornais. Uma coisa boa é que revelam ano da maioria das tiras. Com isso, vemos que tem tiras variando entre 1966 a 1978. Eu até pensava que as tiras dele pararam de ser produzidas no inicio dos anos 70 e com esse livro descobri que estava enganado. As tiras do livro não seguem sequência cronológica, colocando tiras de variados anos em cada sequência. Informam também numeração original das tiras, coisa que também não informam em "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica". 

Tiras do livro

Diferente também do que pensava, as tiras não são iguais as que sairam do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca", de 2011. Como eu pensava que tinha poucas tiras produzidas, seria normal que o material fosse semelhante. Apenas duas que estão nos 2 livros, as demais são tudo diferentes. Fica a deixa, então, para que possam ser produzidos outros pockets L&PM com o Nico Demo. Afinal, foram mais de 12 anos de tiras produzidas, tem bastante material com ele.

Ao comprar o livro, dá pra conferir tiras são mudas, o que tornava bem interessante, de fazer graça só com as ações e permitir que os leitores entendam a piada só através dos desenhos. Os traços também eram com um efeito serrilhado, meio tremido, como se não tivessem arte-final. E como não podia deixar de ser com muitas situações incorretas, mostrando a essência do Nico Demo: um garoto com humor sarcástico, que gosta de aprontar e ser mal com os outros, e também com a intenção de ajudar os outros, mas acabava atrapalhando em vez de ajudar, causando muitas confusões.

Tiras do livro

O leitor confere Nico Demo fazendo coisas do tipo: jogar graveto para o cachorro pegar quando passava o homem da carrocinha perto, ver a pessoa se afogando e aproveita para estourar as bolhas que formam na água, entre outras. Não é a toa que o livro tem o subtítulo "o politicamente incorreto". Interessante também ver tiras datadas como o homem revelando filme de máquina fotográfica antiga, de forma bem caseira. Essas noltalgias são bacanas de ser ver nos gibis antigos.

Sempre bom lembrar que as tiras dessas capas estão presentes na publicação, assim como os outros livros desse gênero. Então, as tiras que aparecem na capa foram tiradas do livro das páginas 39 e 49.  E as imagens do Nico Demo na contracapa também são de tiras variadas dos livros.

Tiras do livro

Como podem ver, esse livro é muito bom e vale a pena ter na coleção, até pela raridade. Para quem gosta de tirinhas antigas é diversão garantida. Até pelo subtítulo "O politicamente incorreto" já dá pra perceber que as boas maneiras passam longe. É uma excelente aquisição e vale procurá-lo em sebos ou na internet. Recomendadíssimo.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Magali Nº 3 - Editora Globo


Em abril de 1989 chegava nas bancas de todo o Brasil o gibi da 'Magali Nº 3'. Nessa postagem eu comento como esse gibi tão especial que marcou época, só com histórias clássicas e de alta qualidade.

O gibi ainda era mensal, com 36 páginas. A capa é maravilhosa, muito bem desenhada e com uma piada envolvendo metalinguagem, mostrando a Magali tentando pegar a maçã do seu título, mesmo com tantas frutas para comer. Nela tem uma faixa anunciando que o concurso "Ganhe um gatinho de verdade" para escolher o nome do gato da Magali e concorrer a um de verdade continuava a todo o vapor. O concurso começou na edição "Nº 2" e nessa também tinha um cupom para o leitor enviar a sugestão do nome do gato e os dados. Já falei um pouco melhor dessa promoção aqui.

Essa edição teve 5 histórias, incluindo a tirinha final. A história de abertura foi a clássica "O controlador de apetite", com 12 páginas no total. Começa com o Dudu e sua mãe no consultório de um nutricionista, Doutor Onto, que receita um poderoso estimulador de apetite ao Dudu para dar vontade de comer nele. Logo após a consulta dele, é a vez da Magali se consultar para diminuir seu apetite.

Trecho da HQ "O controlador de apetite"

O Doutor Onto receita um controlador de apetite para Magali, porém ele se engana e entrega o estimulador de apetite que havia dado pra o Dudu. Ao tomar o remédio em casa, Magali sente o efeito na rua e passa a devorar tudo que encontra pela frente, de uma forma avassaladora. Ela come uma árvore inteira, toda a lanchonete, inclusive as paredes, e ainda tenta comer o Sansão. Com isso, Mônica amarra a Magali em uma árvore para não comer nada enquanto chama a mãe dela. Nisso, Cebolinha e Cascão a encontram amarrada e a soltam, pensando que a Mônica estava louca em deixá-la lá só porque come demais. Ao soltarem, Magali foge e come todo o supermercado e passa a comer capim, tudo de forma descontrolada.

Trecho da HQ "O controlador de apetite"

Assustados da Magali comer o mundo inteiro, eles correm e se esbarram com a Mônica, Dona Lili e o Doutor Onto, que estavam a procurando, e descobrem que ela estava comendo o milharal. Enquanto o nutricionista avisa que o efeito passaria dentro de 6 horas, Magali passa a comer a página da história. Todos ficam desesperados com o fato dela comer o gibi todo e o que será dos leitores se ela for parar no mundo real. Até que Mônica encontra uma solução: adianta o relógio em 6 horas e, com isso, passa o efeito do remédio e Magali passa a cuspir o papel da página. Afinal, eles estão em uma história em quadrinhos e tudo pode acontecer.

Tudo resolvido, o Doutor Onto entrega o controlador de apetite certo, mas a Dona Lili desiste de interferir no apetite da filha e resolve pagar sorvete para todo mundo. No final, Dudu surge na sorveteria que eles estão e conta que tomou um estimulador de apetite, mas não deu certo. A Dona Lili fala que a Magali tomou um controlador de apetite e quando o Dudu pergunta se deu certo, ela responde que não funcionou, já que ela estava tomando 5 taças de sorvete sozinha.

Trecho da HQ "O controlador de apetite"

Sem dúvida, uma história excelente, mostrando o lado absurdo do apetite da Magali, que só acontece no mundo dos quadrinhos mesmo. E a metalinguagem de ela comer as páginas da história foi um marco. A mãe do Dudu nessa história foi chamada de dona Dina e na história "Para abrir o apetite" da "Nº 2", de "Dona Lina". Ela não tinha nome definido ainda e só depois que passou a se chamar Cecília. Acredito que se republicassem novamente, alterariam "Dona Dina" para "Cecília". E o nutricionista Doutor Onto só apareceu nessa história.

Depois dessa, veio a história "Batatas fritas", em que conhecemos a Juliana, uma menina que só comia batata-frita. Ela não aceitava nem que as batatas fossem assadas ou cozidas, apenas fritas. E aonde ela vai, só come batata-frita. Até que um dia, foi almoçar na casa da Magali e, a principio, continuou enjoada, recusando o peixe, macarrão e salada servidos. Só que ao ver a Magali comendo tudo aquilo com entusiasmo, Juliana resolveu experimentar e gostou, comendo tudo e a partir de então deixando de ser enjoada para comer. No final, Magali fica braba, reclamando que se soubesse não teria convidado e vai na lanchonete pra comer... batata- frita!

Trecho da HQ "Batatas Fritas"

Acho essa história bem divertida que ainda tem a sua lição de moral para aqueles que são enjoados de comer, que fala que não gosta de determinados alimentos e nem sequer experimentou. Só pra constar, essa menina Juliana só apareceu nessa história.

A seguir, foi a vez da história "Banho de gato". Nela, Magali acha que o gato está sujo e resolve dar um banho nele. O gato se desespera, já que só toma banho de lambidas, e foge correndo, falando que em matéria de banho, ele e o Cascão têm a mesma opinião, e, então, passa sufoco, como encontrar e ser perseguido por um cachorrão em um beco e encontrar um outro gato quando se esconde dentro de uma lata de lixo. Após perder a luta com o outro gato, se depara com o cachorrão de novo e se esconde em cima de uma árvore.

Trecho da HQ "Banho de gato"

O cachorro vai embora e o gato não sabe descer da árvore e começa a miar. Cebolinha e Cascão o vê lá em cima e chacoalha a árvore e ele cai em uma lama, ficando todo marrom. Os meninos o levam para casa da Magali. Ela diz que ele está sujo, mas que não vai dar banho porque a mãe dela disse que os gatos tomam banho de lingua. Ele se lambe, enquanto fala que seria melhor tomar banho, porque o gosto do sabão seria melhor do que de lama.

Acho muito legal a história, com traços maravilhosos, do tempo que ele tinha pelos bem arrepiados, São os melhores traços dele. Tem ótimas tiradas, me divirto quando ele falou "Andei passeando por uns telhados da vida", ao Magali comentar que ele está sujo e "Adoro essa mulher", se referindo a mãe da Magali. E a cara dele se tornou mais engraçada ainda nessa cena. Muito bom.

Trecho da HQ "Banho de gato"

Histórias com ele na rua, contracenando com outros gatos e bichos eram muito boas. Acredito que se fosse republicada novamente, alterariam as partes da Magali falando "gatinho" para "Mingau". Tem um detalhe do Cebolinha falando "Droga!", que não é mais falada nos gibis atuais, trocando para "Bolas!", "Pindarolas!" ou até mesmo "Puxa!" (que foge do sentido original, inclusive).

Abaixo, o trecho dessa cena, que, inclusive, erradamente colocaram o Cebolinha falando certo. Uma pena ter um erro assim, mas até que com uma história tão boa como essa que passa até despercebido. Lembrando que o erro só saiu nesse quadrinho e no resto da história ele fala trocando as letras normalmente:

Trecho da HQ "Banho de gato"

A última história é a também clássica "Alimentando uma paixão", que marcou a estreia do Quinzinho, Tia Nena e Tio Pepo nos gibis. Aliás, a Tia nena já havia aparecido na história "O rapto da Tia Nena" de 'Mônica Nº 26', de 1989, em que a Tia Nena foi sequestrada por dois bandidos para que ela revelasse seus segredos culinários para eles. Porém, foi a primeira aparição dela em um gibi da Magali. Já Quinzinho e Tio Pepo foram as estreias reais.

Na trama, Magali fica pensativa ao comer o arroz-doce da Tia Nena e ela revela à tia que está apaixonada pelo Quinzinho, o filho do padeiro. Magali comenta que por mais que coma na frente do Quinzinho, ele nunca dá bola para ela. Tia Nena então ensina uma simpatia que ela fez pra conquistar o Tio Pepo. A Magali tinha que conseguir um fio de cabelo do Quinzinho e amarrar no dedo dela e ainda preparar um chá de folha de goiabeira, alho e rabanete e fazer com que ele toma à meia noite.

Trecho da HQ "Alimentando uma paixão"

Então, Magali vai à padaria e pede 12 pãezinhos a ele e comenta que o cabelo dele está muito bonito e pergunta se não tem medo de encontrar um fio de cabelo nos pães. Nessa hora ela arranca o fio dele. O pessoal da fila pensa que a Magali achou um fio de cabelo no pão e todos vão embora falando que não voltam mais comprar na padaria. Diante da confusão, Quinzinho fica brabo com ela e a expulsa tacando pães nela.

Magali fica feliz por ter conseguido o cabelo e prepara o chá. Espera chegar perto da meia noite e vai até a padaria. Chegando lá, está fechada e ela taca pedra na janela do quarto do Quinzinho que ficava em cima da padaria e acaba acertando uma pedrada na cabeça dele. Quinzinho desce para falar com ela e a Magali diz que fez um chá pra ele contra queda de cabelo. Ele fica receoso de tomar, mas bebe e acaba desmaiando, fazendo jus ao termo "tiro e queda".

Depois, passam uns dias e a Magali comenta a Tia Nena que o Quinzinho a perdoou e que está adorando o bolo de queijo que ela está levando todos os dias. Então, Tia Nena, confessa que fez várias simpatias pra conquistar o Tio Pepo, mas o que funcionou mesmo foi o seu famoso bolo de queijo.

Trecho da HQ "Alimentando uma paixão"

Uma história sensacional, cheia de situações incorretas, com criança mexendo com simpatia, Quinzinho trabalhando na padaria e levando pedrada, Magali mexendo com fogão, saindo sozinha à meia noite na rua. Esses detalhes é que faziam toda a diferença e se tornavam as histórias da época tão boas, mas atualmente tudo isso é inadmissível nos gibis e por isso é uma história impublicável.

A Tia Nena dava vestígios do seu dom para bruxarias, e muitos anos depois, ela se tornou bruxa realmente, só que uma bruxa do bem. A intenção de quando ela estreou era apenas ser a tia da Magali que faz os melhores quitutes da região e que vende pra fora. Curiosamente, no título colocaram "Turma da Mônica" em vez de "Magali". E depois dessa, ainda tinham histórias da Magali com outros namorados (ou pretendentes) e o Quinzinho só se tornou namorado oficial mesmo na edição "Nº 14". Nessa história, ele apareceu de cabelos alaranjados, mas depois foi para marrom, mudando as tonalidades, de acordo com as mudanças de cores de cada época. 

Também devem ter reparado nas imagens, propagandas da ração "Gatsy" (que patrocinava o concurso do nome do gato da Magali) na lateral direita vertical em várias páginas da revista, aparecendo nas histórias "Banho de gato" e "Alimentando uma paixão", sempre nas páginas ímpares. Era um artifício das editoras Abril e Globo inserir propagandas nas histórias, seja dentro das histórias, ocupando espaço dos quadrinhos finais, ou nas laterais. Era muito comum isso.

Cupom da promoção "Ganhe um gatinho de verdade"
  
E o gibi termina com a tradicional tirinha no final do expediente, muito engraçada por sinal. E com o logotipo igual ao que saiu no pocket 'As Grandes piadas da Magali Nº 5' (Ed. Globo, 1987), e muitos pensavam que o logotipo seria assim quando o gibi foi lançado.

Tirinha da edição

Em 2007, esse gibi "Nº 3" foi relançado na Coleção Histórica, e, assim como outros volumes da coleção, as propagandas foram omitidas, colocando comentários do Paulo Back no lugar e os tons de cores foram recoloridos totalmente diferentes da original. Mas a pior coisa forem omitir a faixa da  promoção do gato na capa, redesenhando as frutas no lugar da faixa. Ridículo.

Como podem ver, esse gibi da 'Magali Nº 3' foi sensacional, só com histórias clássicas e de alto nível e traços excelentes em todas. Era normal na época, todas as histórias serem boas, mas esse gibi esse torna especial por todas serem clássicas. Enfim, um gibi memorável e muito caprichado que sempre vale a pena relembrar.

domingo, 20 de abril de 2014

Capa da Semana: Chico Bento Nº 109

Hoje é Páscoa e deixo uma capa do Chico Bento em homenagem à data. Nela, uma piada com o Coelhinho da Páscoa chocando o Ovo no ninho que nem uma galinha. 

São raras as capas e histórias envolvendo Páscoa em todos os tempos e quando tem envolvem o Coelhinho e Ovo da Páscoa. Uma feliz Páscoa a todos!

A capa dessa semana é de 'Chico Bento Nº 109' (Ed. Globo, Março/ 1991).


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Tirinha Nº 13: Mônica

Uma tirinha com a Mônica visitando uma sala de espelhos divertidos e como ela nunca gostou de ser chamada de baixinha, dentuça e gorducha sobrou coelhada  até para o espelho, dando prejuízo para o estabelecimento.

Tirinha foi publicada originalmente em 'Mônica Nº 25' (Ed. Globo, 1989).


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Almanaque Piteco & Horácio N º 11 - Panini


Já nas bancas o novo 'Almanaque Piteco & Horácio nº 11'. Nessa postagem comento um pouco sobre essa edição e também falo um pouco sobre os almanaques dos secundários como um todo e suas curiosidades.

Os personagens secundários têm almanaques regulares desde 2004 ainda na Editora Globo. Em vez de criarem gibis próprios, eles criaram almanaques para atender ao público que sempre desejou que eles tivessem gibis. Na Globo, apenas Tina, Penadinho e Astronauta tinham seus almanaques, encaixados na série "Almanaque da Turma". Eram bimestrais, mas cada personagem acabava sendo lançado semestralmente. 

Naquela época, as numerações não eram independentes e os 3 revezavam na numeração. O Nº 1 foi da Tina, o Nº 2, do Penadinho , o Nº 3 do Astronauta, o Nº 4 da Tina e por aí vai, sempre seguindo essa ordem. Essa coleção foi até o Nº 14, terminando com Penadinho. Curioso é que o primeiro Almanaque do Penadinho, na capa veio "Nº 1", mas devia ter vindo "Nº 2", causando uma certa confusão nos leitores, sendo o erro avisado no 'Almanaque do Astronauta Nº 3'.

Capas dos primeiros 'Almanaque da Turma' da Globo que eu tenho

Quando foram para Panini em 2007, a ideia dos almanaques continuou, só que a partir daí a numeração foi independente e cada um teve o seu "Nº 1" e seguiu cronologicamente. E, aos poucos, as outras turmas também passaram a ter almanaques próprios para atender a todos os gostos, formando duplas, de acordo com temas semelhantes. Em 2008, começou a circular os Almanaques do 'Bidu & Mingau' e em 2009, 'Piteco & Horácio', além de 'Papa-Capim & Turma da Mata' em 2010. O do Louco foi o último a ser lançado em 2011.

Todos esses almanaques são semestrais e tem um pouco menos páginas que os convencionais, com 76 páginas no total e o que é melhor: sem passatempos. E custam menos também que os tradicionais. Enquanto que os da Turma da Mônica custam R$ 4,90, esses custam R$ 3,80, e como não tiveram reajuste de preço, atualmente custam menos que as mensais com lombada de 68 páginas, que custam R$ 3,90.

Eu não costumo comprar almanaques atuais. Quando republicam histórias mais novas não me interessa e as antigas que vem republicando eu tenho as originais e, com isso, sempre ficam de lado. Até hoje os dos 5 principais eu não tenho nenhum da Panini. E esses almanaques da Turma, tenho só do 'Astronauta Nº 12', do 'Papa-Capim & Turma da Mata Nº 5', os 2 primeiros do Louco e 4  do 'Piteco & Horácio', incluindo esse que eu comprei.  

O que me levou a comprar esse 'Almanaque Piteco & Horácio Nº 11' é que tem várias histórias clássicas do Horácio da Editora Abril, coisa rara de republicar nos almanaques atuais. Algumas eu já conhecia nos almanaques da Globo e outras, não. Os do 'Piteco & Horácio' eu já tinha os Nº 1, 2 e 5 porque tinham histórias da Abril. aliás o nº 1 só com histórias da Editora da Abril e o nº 2, apenas 1 do Horácio que foi da Globo 1991 e as demais da fase Abril; e o Nº 5 com a última história do Horácio da Ed. Abril.

Capas dos 'Almanaques Piteco & Horácio' que eu tenho

Esse 'Almanaque Piteco & Horácio nº 11' tem 20 histórias no total, sendo que são 6 do Piteco (incluindo tirinha final) e 14 do Horácio. Normalmente, teriam que alternar as histórias, sendo uma do Piteco e a  seguir uma do Horácio, assim como as dos outros almanaques de duplas. Mas, como as do Horácio a maioria são de 2 páginas, eles colocam várias do Horácio, uma atrás da outra, sendo que ao contar o total de páginas destinadas pra cada personagem, ficou praticamente meio a meio, com 34 páginas destinadas ao Piteco e 33, com Horácio.

A capa ficou muito legal, e ainda mais com a presença do Zum e Bum e da Ogra, que estão sumidos atualmente. O almanaque abre com história do Piteco, "O platô das garotas maravilhosas", publicada originalmente em 'Cebolinha nº 231' (Ed. Globo, 2005), onde há um platô bem alto difícil de ser escalado na aldeia de Lem com a lenda onde há várias mulheres lindas no topo e, com isso, Piteco e Bolota vão lá conferir. Apesar de ser de 2005, até que gostei dessa história. Não a conhecia.

As outras histórias do Piteco seguem com 2 dos anos 90 e 2 dos anos 2000. Eu conhecia as histórias "Isso é evolução" (original de 'Mônica Nº 107', de 1995), em que o Piteco caça um dinossauro para provar que o homem evoluiu,  e "Pai desnaturado" (original de 'Mônica Nº 117', de 1996), em que aparece um filho misterioso para o Piteco. 

Uma coisa boa na história "Isso é evolução" é que não alteraram o prego da clava do Piteco. Atualmente, eles não colocam prego na clava porque além de ensinar errado já que não existia prego na pré-história, ainda era perigoso e machucar. Ou seja, politicamente incorreto. E o bom que não mudaram isso e mantiveram o prego lá. E interessante uma história envolvendo caça de animais, coisa também proibida atualmente, mesmo com uma boa lição de moral no final, como essa. Ponto positivo da edição. Só é uma pena que nas cores não mantiveram o degradê tão bonito e característico das histórias do 2º semestre de 1995. Abaixo, a comparação das 2 revistas:

Comparação: 'Mônica Nº 107 (Ed. Globo, 1995) e 'Almanaque Piteco & Horácio Nº 11'

As 2 histórias dos anos 2000 do Piteco são normais e praticamente mudas, mas nada que estrague. E a tirinha final foi inédita, com presença do Tio Glunc, personagem esquecido pela MSP.

Já as histórias do Horácio são um caso à parte. São quase todas da Editora Abril, apenas a da página 28 que foi publicada em 'Mônica Nº 1' (Ed. Globo, 1987). A maioria são de 2 páginas, mas tem uma de 3 páginas e a última com 6 páginas. Tem história que foi publicada em 'Mônica Nº 143' (Ed. Abril, 1982) na página 58, além de ter uma história protagonizada pelos Napões e o Horácio nem aparece, que foi inédita pra mim. E as histórias das páginas 32 e 46 eu também não conhecia. As outras, sim.

Trecho da história dos Napões

Tem histórias em que não tem balão nas falas dos personagens, apenas um traço direcionado ao personagem para indicar quem está falando. Para ver como são raras e antigas essas histórias. Abaixo, um trecho de uma história da página 20, sem balões. tem outra também assim na página 56.

Trecho de HQ do Horácio sem balões

Em relação às originais, teve um história com o mamute Antão que omitiram o título "Horácio" no inicio de cada página. Foi aproveitada de páginas semanais do jornal "Folha de São Paulo" para os gibis, e em cada página tinha uma piadinha no final, sendo histórias independentes, mas que juntando as 3 partes, formava uma única história. Nas originais em cada inicio de página tinha um "Horácio" e agora tiraram, que dá para perceber que tinha espaço para escrever o título no canto esquerdo. Apenas um detalhe, que não prejudica o conteúdo da história. Abaixo, um trecho com o título "Horácio" omitido da 2ª página:

Trecho com o título "Horácio" omitido

A última história da dinossaura com cauda grande, pé curioso que foi republicada em 'Mônica N 42' (Ed. Globo, 1990), só que na ocasião foi redesenhada e recolorida para adaptar ao número d epáginas que queriam e, com isso, em 1990, a mesma história ficou com 5 páginas em vez de 6. Nesse almanaque atual, eles republicaram a versão da Editora Abril. Abaixo, um trecho comparando as 2 versões:

Comparação: 'Mônica Nº 42' (Ed. Globo, 1990) e 'Almanaque Piteco & Horácio Nº 11'

Como podem ver, esse almanaque vale a pena pelas raridades das histórias, sobretudo as do  Horácio. Tem os seus deslizes, como costumam ter os almanaques atuais, mas dessa vez até que não prejudicou o conteúdo como um todo. Fica a dica. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Capa da Semana: Magali Nº 188

Em homenagem ao Dia dos Índios, mostro uma capa da Magali como uma índia na aldeia do Papa-Capim só para comer as delícias da cultura indígena. 

Muito caprichada essa capa, o que estragou foi o logotipo desproporcional desse jeito, que insistiam tanto em colocar na época.

A capa dessa semana é de 'Magali Nº 188' (Ed. Globo, Agosto/ 1996).


sábado, 12 de abril de 2014

Esquecidos 7: Mariana (irmã do Chico Bento)


Para quem não sabe, o Chico Bento já teve uma irmã que morreu ainda bebê, a Mariana. Ela foi um personagem de muito sucesso que eu falo dela nessa postagem.

Mariana surgiu em 1990 e era uma estrela que tinha o desejo de virar humana e morar na Terra junto com uma família bem carinhosa. Ela conseguiu essa façanha, se tornando a irmã do Chico Bento, só que apenas um tempo necessário para ter o seu desejo realizado, até que as estrelas a chama de volta e ela tem que partir, deixando um vazio na família do Chico Bento. E, anos mais tarde, voltou em outra história para visitar o Chico Bento no seu aniversário. 

Sua primeira aparição foi no gibi do 'Chico Bento Nº 87' (Ed. Globo, 1990) na história "Uma estrelinha chamada Mariana". Foi toda narrada pela Mariana, ela se apresenta e diz que gosta de observar a Terra lá do céu. Gosta de ver o mar, as montanhas, os casais namorando, os animais dormindo, sempre com o desejo de morar na Terra.

Trecho da HQ de 'Chico Bento Nº 87' (Ed. Globo, 1990)

Ela contou para as suas irmãs estrelas o seu desejo e até já tinha uma família com quem gostaria de morar. As estrelas disseram que era possível, e elas passaram a rodar bem rápido em volta da Mariana, que chegou a ficar tonta. Quando passou a tonteira, ela já estava na Terra, e dentro da barriga da Dona Cotinha, mãe do Chico Bento, onde se sentia segura e até ouvia a conversa dos animais. 

Com isso, Dona Cotinha já se sentia enjoada e foi ao médico com seu Bento e recebeu a notícia que estava grávida. O Chico Bento adorou a ideia de ter um irmãozinho. Ele pergunta aonde ele estava e a sua mãe responde que estava dentro da barriga, que ainda é pequeno e que sai só quando crescer. Chico não via a hora do irmão nascer. Então, passa os meses e a gravidez ia ocorrendo numa boa. O Chico até leva o Zé da Roça e o Zé Lelé pra ver seu irmãozinho e eles falam que vai nascer uma melancia ou uma bola de futebol, deixando o Chico furioso e corre atrás deles.

Trecho da HQ de 'Chico Bento Nº 87' (Ed. Globo, 1990)

Chega o dia do nascimento e o médico vai a casa dos Bento para fazer o parto. Descobrem que é uma menina e o Chico adora a sua irmã, acha muito bonita e se torna um irmão coruja, que não desgruda dela para nada. Chico a leva junto quando ele vai nadar no rio, roubar goiaba, pescar, falando que quando ela crescer, vai fazer tudo aquilo junto com ele e não vai deixar nenhum menino paquerá-la. À noite, as estrelas sempre apareciam para Mariana, falando que o lugar dela continuava lá, sempre que precisar.

Até que um dia, a Mariana fica doente, e os médicos não descobrem a doença que ela tinha. Ela luta para ficar, mas não consegue e se vai, afinal as estrelas estavam chamando de volta. Com isso, Ela estava de volta ao seu lugar no céu e na Terra, se tornando estrela novamente, e na Terra, a menina havia morrido.

A tristeza prevalece na casa dos Bento, todos choram muito, com dor muito grande e saudades enormes por causa da perda da Mariana, que faleceu tão precocemente. A partir daí, quando chega a noite, ela sempre olha para a sua família no céu, e brilha mais forte e os Bento sabem que aquela estrela era a Mariana, terminando assim a história.

Trecho da HQ de 'Chico Bento Nº 87' (Ed. Globo, 1990)

É uma história curta de 9 páginas e muito linda e emocionante que mexe com as pessoas que perderam alguém querido.  Mesmo em um gibi infantil, o assunto da morte foi tratado de uma forma bem singela, que agrada e toca todo mundo.

Uma coisa interessante nessa história é que mostra crédito, informando que foi o roteirista Rubens Kyiomura (o Rubão) que a escreveu, e ainda mostra para quem ele escreveu: Lucio, Nora e Mauricinho. É raríssimo informar créditos nas histórias da MSP em qualquer época e nessa mostrou. Uma história tão bonita, que o estúdio resolveu abrir uma exceção e mostrar a todos quem escreveu. Provavelmente, o Rubão queria homenagear alguém que havia falecido há pouco tempo.

Trecho da HQ de 'Chico Bento Nº 87' (Ed. Globo, 1990)

Em 2003, essa história foi republicada no 'Almanaque do Chico Bento Nº 77', fazendo um grande sucesso. Quem já conhecia a história, adorou ler novamente e quem não conhecia se encantou com o brilho da história. É até curioso que os almanaques seguiam uma certa sequência dos anos das histórias a serem republicadas e os almanaques Chico de 2003 já estavam republicando histórias de abertura de 1991, e nessa edição voltaram para 1990 e o público adorou a volta dessa história, que podia ficar esquecida porque não republicaram em 2002.

Com o sucesso da história republicada e muitas cartas e e-mail recebidos, em 2005 a Mariana voltou em outra história inédita, 15 anos depois da original, na história "O presente de uma estrelinha", de 'Chico Bento Nº 449', contando a visita que a Mariana fez ao Chico no aniversário dele. Dessa vez foi escrita pelo Paulo Back, mas não mostra crédito dele na história. Lembrando que o Rubão já havia saído da MSP há algum tempo.

Trecho da HQ de 'Chico Bento Nº 449' (Ed. Globo, 2005)

Essa trama nova, com 19 páginas no total, é narrada pelo Chico Bento. Primeiro ele faz uma breve lembrança da irmã Mariana que faleceu. E depois ele chega na cozinha todo ansioso dizendo que o aniversário dele era amanhã e estava louco para chegar a festa. Só que percebe que a mãe estava séria e pensativa enquanto preparava o bolo e nem prestou atenção nele. 

Chico vai para varanda e comenta sozinho que quando a mãe fica séria daquele jeito porque está pensando na Mariana. Ele acha que seria bom que ela estivesse lá comemorando o aniversário dele. Mas se conforma dizendo que se está com o Pai do Céu porque foi por um bom motivo. E quando olha para o céu sabe que ela está lá em cima e ela está olhando para lá. Até que ele percebe que uma estrela está maior e está brilhando forte e cada vez mais perto. Quando ele olha, é a Mariana, que estava de volta e consegue falar com ele.

Trecho da HQ de 'Chico Bento Nº 449' (Ed. Globo, 2005)

Chico fica eufórico e queria que os pais a vissem, mas a Mariana não deixa porque ela visitar apenas o Chico. Ela revela que era uma estrela que queria saber como é morar com uma família amorosa, mas as suas irmãs estrelas a chamaram de volta e ela não pôde ficar. Mas sempre estava observando tudo lá de cima. Chico insiste novamente para ela ver os pais, mas ela acha melhor não, e que os adultos falam com as estrelas, só que com o coração e sentem a presença delas.

Nessa hora, as estrelas do céu se agrupam e a Mariana diz que já está na hora de subir novamente. Chico fica triste que ela tem que ir de novo, mas antes de ir a Mariana fala que tem um presente para ele. Ela o manda fechar os olhos e brilha intensamente, dando ao Chico uma sensação de paz e tranquilidade, e então, some e ele não vê.

Trecho da HQ de 'Chico Bento Nº 449' (Ed. Globo, 2005)

A partir daí, a história volta a ser narrada pelo Chico. Ele diz que acordou no outro dia e que o pai o viu na varanda dormindo e ele o levou pra cama. Na hora, ficou com dúvida se tudo foi sonho ou não. Diz que aquele aniversário foi o melhor da vida dele e diz que o presente da Mariana podia ser a esperança de encontrá-la novamente. Ele sabia que ia acontecer, só não sabia se iria ganhar uma nova irmã ou ela o visitaria de novo. Ele sempre olhava para o céu esses anos todos, até que, ele já adulto e casado com a Rosinha entendeu que ela fazia parte dele, desde aquele aniversário, e que voltou reencarnada como a filha dele com a Rosinha, terminando assim a história.

Trecho da HQ de 'Chico Bento Nº 449' (Ed. Globo, 2005)

Deu para ver que o final foi mais feliz nessa 2ª história e vimos que ela voltou como filha do Chico Bento e ela sempre ficou dentro dele até que fosse a hora certa pra nascer de novo. Até foi uma solução para não permanecer aquela tristeza que ficou na história de 1990. Vale lembrar que nas histórias mais recentes, os personagens não podem sofrer e não podem ter finais tristes.

Histórias completas com a Mariana foram só essas, porém ela foi lembrada em 'Mônica nº 232', ainda em 2005 mesmo, na história "Um aniversário festejado", em homenagem ao aniversário de 70 anos do Maurício de Sousa, aparecendo em 1 quadrinho, sendo um pouco confundida com a Estrelinha Mágica pela Marina nessa participação. Sempre deixando claro que a Estrelinha Mágica e a Mariana são personagens diferentes, apesar dos traços semelhantes. E Mariana foi lembrada também na história do Chico Bento Moço do livro "Chico Bento 50 Anos".
Trecho da HQ de 'Mônica Nº 232' (Ed. Globo, 2005)

Aliás, só para constar Os Souza, Garotão e Nico Demo, que já falei no Blog, e outros personagens esquecidos também participaram nessa história "Um aniversário festejado" de 'Mônica nº 232'.

Outra aparição da Mariana aconteceu na história "Espírito de aniversário", de 'Chico Bento Nº 31' (Ed. Panini, 2009), em que no final aparecem o Chico e a Rosinha adultos com uma filha e a menina tem traços semelhantes às histórias antigas. Desde então, quando precisarem mostrar o Chico Bento como adulto com uma filha deverá sempre ser a Mariana para dar sentido. Abaixo, um trecho dessa história, enviada por Ana Silva, já que não tenho esse gibi:

Trecho da HQ de 'Chico Bento nº 31' (Ed. Panini, 2009)

Então, vimos histórias lindas e emocionantes antológicas que revelaram uma grande personagem. Verdadeiros clássicos da MSP, sobretudo a história de 1990, que mostrou um final triste e que é a pura realidade mesmo. Pode ser que retornem com a Mariana em outra continuação, mas a tendência é só ser lembrada em participações especiais com personagens do limbo do esquecimento ou quando mostrarem o Chico Bento como adulto com uma filha. Acredito que não em histórias solo, até porque já ficou bem claro que ela será a filha do Chico Bento quando se tornar adulto.

Abaixo, algumas capas dos gibis que tem essas histórias da Mariana comentadas na postagem:

Capas: 'Chico Bento Nº 87' (1990), 'Almanaque do Chico Bento Nº 77' (2003), 'Chico Bento Nº 449' (20050, 'Mônica Nº 232' (2005)