sábado, 19 de agosto de 2017

Uma história com humor do Horácio

Mostro uma história do Horácio voltada para o humor onde uma interpretação mal feita piorou a situação do Tecodonte. Com 1  página, foi republicada em 'Almanaque da Magali Nº 3' (Ed. Globo, 1990).

Histórias do Horácio sempre foram marcadas pelo lado filosófico e de reflexão, principalmente as de 1 página de tabloides de jornais que depois eram republicadas nos gibis convencionais. Enquanto as dos anos 70 mais longas eram mais de aventuras, as dos anos 80 de 1 página tinham seu lado filosófico.

Nessa história, escrita por Mauricio de Sousa, Horácio encontra Tecodonte com pedra nos rins e sugere ao amigo tomar chá de erva Quebra-Pedra. Mas por ter falado só "quebra-pedra", ficou a má interpretação e acabou o Tecodonte quebrando pedras 2 dias sem parar e piorando a sua dor nos rins pelo esforço que fez ao quebrar as pedras.

Além de ter a sua piada, Mauricio quis ensinar como uma interpretação mal feita pode fazer toda a diferença. Horácio continuou com sua sabedoria típica de sua personalidade, foi Tecodonte o responsável pela piada por não saber interpretar o que o Horácio falou. E ainda ensinou os leitores um bom remédio natural pra quem sofre de pedra nos rins, ou seja, ainda foi informativa.

Os traços bacanas, bem típico dos anos 80. Na verdade foi tabloide de jornal que depois saiu em algum gibi da Editora Abril dos anos 80 e depois republicada nesse 'Almanaque da Magali Nº 3'. Abaixo, essa história de 1  página.



domingo, 13 de agosto de 2017

Mônica: HQ "Meu cabelinho"

No Dia dos Pais, mostro uma história em que o pai da Mônica, Seu Sousa, ficou preocupado com o seu cabelo caindo muito de repente. Com 5 páginas no total, é uma história publicada pela Editora Abril por volta de 1984 e republicada em 'Almanaque da Mônica Nº 46' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 46' (Ed. Globo, 1995)

Começa com Mônica querendo passear na rua com o seu pai. Seu Sousa a princípio pensa que ela queria dinheiro, mas vê que tinha interesse também de pagar um sorvete para ela.


Seu Sousa vai ao banheiro pentear o cabelo e ai nota que o pente estava cheio de cabelo enquanto ele penteava e fica desesperado dando um grito de estremecer a casa. Mônica vai correndo para o banheiro para saber o que houve e pede para o pai abrir a porta. Ele se recusa a abrir falando que não pode e que não aconteceu nada. Mônica exige que ele abra a porta senão arromba.


Quando Seu Sousa sai do banheiro, diz para Mônica não rir da calvície dele. Mônica pergunta se é alguma doença e ele diz que é pior que isso e chora ajoelhado fazendo drama que está ficando careca. Mônica tenta consolá-lo lembrando da música que é dos carecas que elas gostam mais e o pai diz que é conversa de um careca para se consolar. 

Seu Sousa pega um chapéu para sair e Mônica diz que não vai sair com o pai com aquele chapéu feio e ele diz que pode pegar um boné então. Mônica fala que está mais cabeludo que o "Sacarias" (Zacarias) e o Seu Sousa diz que ele usa peruca e começa a chorar. Mônica tenta fazer carinho da cabela do pai pra não ficar assim e ele diz para não encostar no cabelo dele para não cair ainda mais.


Em seguida, Cebolinha bate na porta pedindo o pente emprestado de novo. Mônica reclama que ele havia pedido o pente de manhã e agora de novo. Cebolinha diz que é para pentear o Floquinho e pensava que ela sabia por ter os pelos do seu cachorro no pente. Mônica fica uma fera e já se prepara para bater nele quando o Seu Sousa interrompe feliz que não era o cabelo e não estava ficando careca. No final, Cebolinha vai embora levando o pente e Mônica e seu pai saem pra tomar sorvete. No caminho, Seu Sousa comenta que ele vai continuar com sua cabeleira charmosa e bonita , quando eles avistam um senhor careca rodeada de mulheres apaixonadas por ele, deixando claro que é verdade a música que é dos carecas que elas gostam mais.


História simples de miolo muito boa mostrando o cotidiano de preocupação de homem começando a perder cabelo e a relação de pai e filha. Legal ver o drama do Seu Sousa quando descobre que está ficando careca e a Mônica tentando consolá-lo. Engraçada a parte da casa saindo do lugar com o grito que ele deu quando estava com calvície e também a paródia ao nome do Zacarias dos Trapalhões sendo chamado de "Sacarias".

É incorreta pelo motivo dos cabelos no pente do Cebolinha pentear Floquinho com os pentes que eles usavam. Dificilmente republicariam por esse mau exemplo. E nota-se que a palavra "azar" era pronunciada tranquilamente e hoje em dia eles iam mudar a palavra para "má sorte" ou "falta de sorte".


Os traços muitos bons, bem típicos do início dos anos 80 com bochechas formando apenas uma curva direto da cabeça dos personagens. Já estavam quase o estilo que se tornou consagrado em meados de 1984. Interessante também a arte no título colocando um cabelo no último "O".  Nos gibis da Editora Abril e Globo eram repletos de artes criativas nos títulos se tornando mais agradáveis de ler ainda, até por ser tudo manual. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Capa da Semana: Cebolinha Nº 127

Uma das raras capas com o Louco aparecendo. Nela, o Louco fica sendo o reflexo do Cebolinha na água quando ele estava pescando em um barco. Façanhas que só o Louco consegue.

Capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 127' (Ed. Globo, Julho/ 1997).


domingo, 6 de agosto de 2017

Tirinha Nº 50: Chico Bento

Uma tirinha toda incorreta muito engraçada e bem a cara do Chico Bento. Ele bebe água da torneira com as mãos sujas e quando é repreendido pela Rosinha ai resolve beber água com os pés que estavam descalços mais sujos ainda . Ainda  que ele bebesse com um copo normal já estava errado em beber água direto da torneira contaminada. 

Tirinha publicada originalmente em 'Chico Bento Nº 122' (Ed. Globo, 1991).


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cascão: HQ "Pobre menino da lata"

Mostro uma história em que dois caras de um programa sensacionalista de televisão pensam que o Cascão morava na lata de lixo e levam a lata para ser atração do programa para emocionar os telespectadores e conseguir audiência a custo disso. Com 7 páginas no total, foi história de abertura de 'Cascão Nº 57' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cascão Nº 57' (Ed. Globo, 1989)

Chove forte sem parar no bairro do Limoeiro e Cascão se esconde dentro de uma lata de lixo para fugir da chuva e acaba dormindo. A chuva passa e aparece no local um apresentador e um produtor de programa de curiosidades de TV  reclamando que a audiência está mais baixa que programa político e precisam de uma atração para o programa.


O produtor diz que vai levar um homem que come ferro, mas só quando ele sair do hospital porque está com gastrite. O apresentador Alberto Pereira senta na lata de lixo e reclama que não tem nenhuma atração par ao programa daquele dia e o produtor diz que vão cortá-los da TV. Nessa hora, Cascão ronca dentro da lata de lixo e chama atenção deles.

O produtor pensa que é a barriga do Alberto Pereira roncando e pergunta se está com fome. O apresentador, por sua vez, pensa que é a do produtor. Logo veem que o barulho veio da lata de lixo e quando vão conferir era o Cascão lá dentro dormindo e pensam que ele morava lá dentro. Então eles levam o Cascão para a emissora "Tevê Robô" para ser a atração do programa como o "pobre menino que mora na lata de lixo" com a ambição de emocionar os telespectadores e conseguir muita audiência, mais que novela das oito, e mais patrocinadores e ficarem ricos.


Começa a transmissão ao vivo do programa "Curiosidades das Cidades" com o Alberto Pereira apresentando a atração do programa. Ele mostra a lata de lixo e pergunta para plateia e telespectadores o que havia na lata de lixo. Além do lixo, ele prepara para verem uma cena chocante. Quando abre a tampa, aparece Cascão acordando e Alberto Pereira falando que ele era o menino que morava na lata de lixo.

Cascão se espanta com tanta luz e quer saber onde está. Alberto fala que está em um programa de TV e quer que sua voz seja um alerta par ao mundo. Cascão se amostra para as câmeras entusiasmado e Alberto fala para sair da frente para continuar o programa. Alberto pergunta como é viver dentro da lata de lixo, quanto tempo faz. Cascão nem chega a responder e o Alberto fala que é de apertar o coração.


Cascão resolve ir embora do programa e Alberto o impede falando que tem que falar com as autoridades competentes e que precisa de ajuda. Cascão grita por socorro enquanto o Alberto o segura pelo braço e  aí nessa hora aparece o pai do Cascão, seu Antenor, invadindo o programa ao vivo e dá uma surra no produtor e no apresentador, falando que é uma palhaçada, que já estava sentindo falta do filho e a sorte que ligou a TV naquele programa sensacionalista e leva Cascão pra casa.


No final, Alberto Pereira manda cortar a transmissão e eles são demitidos com direito ao chefe expulsar dando chute na bunda deles. Alberto lamenta por estarem na rua, não tem mais nada e arruinados. O produtor pergunta aonde vão passar a noite e eles resolvem dormirem em uma mesma lata de lixo, com um arrumando jeito de se encaixarem melhor lá dentro. Ou seja, se tornaram os verdadeiros moradores de lata de lixo  como castigo.


História legal com os caras da televisão com ambição de ter atração sensacionalista para dar audiência no programa deles. Serve como uma crítica a programas sensacionalistas que procuram mexer com a emoção dos telespectadores, expondo publicamente o sofrimento dos outros em busca da audiência. Na época até que não tinha muitos programas assim, pareceu até uma previsão do que seria mais comum a partir de meados dos anos 90 e hoje em dia são mais frequentes programas assim.


Interessante que Cascão até apareceu pouco, contracenando poucas vezes com o apresentador de TV, embora ele estava dentro da lata de lixo o tempo todo. Legal o nome do canal deles chamado de "Tevê Robô", eram bem criativos nesses nomes. Impublicável hoje em dia porque além do tema de estar explorando sofrimento de uma criança de rua que supostamente morava na lata de lixo, tem também o fato do Cascão ficar dentro da lata de lixo que não é permitido atualmente, fora os personagens falarem abertamente certas palavras também proibidas nos gibis atuais como "Droga!", xingar os outros de imbecil e idiota e sendo chutados no final. 


Os traços muito bons, adorava os desenhos assim e as cores também excelentes, uma das melhores cores dos gibis da Editora Globo. Parece que não foi republicada até hoje, pelo menos não tenho conhecimento. Quase todas dessa época foram republicadas, mas essa acho que não. Se foi, talvez em algum Almanação a partir de 1999. O que é legal por ser uma história rara aqui no Blog.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Capa da Semana: Mônica Nº 51

Nessa capa, a turma está no fundo do mar e a Mônica descobre que o Cebolinha escondeu o Sansão dentro de um baú e ainda por cima com orelhas cheias de nó. Capa muito bonita e desenhos bem caprichados.

A capa dessa semana é de 'Mônica Nº 51' (Ed. Globo, Março/ 1991).


sábado, 1 de julho de 2017

Chico Bento: HQ "Chico, 7 anos"

Primeiro de julho, dia do aniversário do Chico Bento. Então, mostro uma história clássica em que o Chico entrou em uma gruta misteriosa no dia do seu aniversário de 7 anos, que marcou o seu crescimento e maturidade. Com 9 páginas no total, foi publicada em 'Chico Bento Nº 2' (Ed. Abril, 1982).

Capa de 'Chico Bento Nº 2' (Ed. Abril, 1982)

Escrita por Mauricio de Sousa, Chico está indo para uma gruta que está sempre acostumado a ir. Ele costuma ir escondido dos pais por acharem que eles iam achar perigoso entrar sozinho lá. Ele entra através de um buraco bem pequeno e sempre se encanta com a paisagem quando vai lá.


Chico dá a sua volta habitual que está acostumado comentando que os pais iam achar perigoso ele ir sozinho e que o seu pai nem ia conseguir entrar no buraco da boca da gruta. Chico vai ao encontro com seu bisavô Firmino e leva um rolo de fumo para o o seu cachimbo

Então, Chico pergunta onde está o resto do pessoal de casa e  e o seu bisavô diz que estão preparando algumas coisas para ele. Chico pergunta por que estão preparando coisas para ele e seu bisavô diz que não esqueceram do seu aniversário que estava completando 7 anos hoje. Nessa hora, aparece sua bisavó com um bolo de fubá, biscoitos e guarapa.


Chico pergunta por que fez tanta coisa e sua bisavó diz que é por causa que hoje ele vai fazer uma viagem. Ele estranha da viagem porque seu pai não avisou nada. Sua bisavó diz que é uma vagem que todos nós fazemos um dia, que às vezes começa e acaba e a gente nem se dá conta. Nhô Firmino pergunta se o bisneto não vai se arreliar com os "coisa-ruim" (saci, bruxa, diabinhos, mula-sem-cabeça, etc). Chico diz que eles estão quietos e vai deixar para lá, hoje só está com vontade de ficar com seus bisavós.


Nhô Firmino faz questão do Chico dar uma última olhada nos seus amigos da gruta. Chico se encontra com anjos, cachorro, Doceira. Ele comenta que vai fazer uma viagem e a Doceira diz que para onde ele for, não esquecer nunca deles. Chico se despede dos seus amigos e no caminho encontra um balanço e vai brincar. Ele nota que o balanço está cada vez mais para baixo, que nem dar para balançar e se pergunta se foi ele quem cresceu.


Enquanto sai da gruta, ele fica comentando no caminho da saída que seu pai ia dar uma surra se o pegasse naquela gruta, que era para estar estudando ou ajudando na roça ao invés de sumir para lá. De repente, passa a dar razão para o pai, falando que está atrasado na escola e que já está encorpado para ajudar na roça sem problema e se não ajudá-lo não vai poder passear na vila nem se encontrar com a Rosinha e o seu sorriso bonito.


Chico encontra a saída da gruta e acha o buraco da boca da gruta muito apertado, mas consegue sair com dificuldade e acha que é porque está comendo muito feijão. Então, ele se lembra que esqueceu de pegar as coisas do seu aniversário com seus bisavós. Ele tenta voltar, mas ele não consegue mais entrar na gruta pelo buraco e começa a chorar. No final, ele sai triste da gruta e no caminho de volta de casa, ele vai listando suas responsabilidades de estudar, ajudar o pai na roça, juntar dinheiro para no futuro se casar com a Rosinha, afinal a partir daquele momento ele não era mais criança.


Uma história filosófica e séria, estilo Mauricio de Sousa,  retratando o final da infância, quando a pessoa se dá conta que não é mais criança, sem ligar mais para as brincadeiras e passando a ter responsabilidades. Chico Bento ia nessa gruta desobedecendo aos pais, para encontrar com seus bisavós já mortos e sempre conservava com eles. A partir que completou 7 anos, a magia acaba e ele não consegue mais ter contato.


Fica a dúvida se ele conversava mesmo com seus bisavós mortos ou se tudo era imaginação, assim como seus amigos e "coisas-ruins" que conversava lá, enfim, se aquele lugar existia mesmo ou era fruto da imaginação do Chico. Mauricio gostava de histórias de dúvida se tudo aconteceu de verdade ou não, ficando o leitor a julgar da forma que achar melhor. Podia ter colocado algum personagem mais velho pra retratar esse fim da infância como Franjinha, Titi, Jeremias, mas pelo visto Mauricio preferiu o Chico por se encaixar mais em histórias desse tipo, mesmo que com 7 anos ainda ser criança na vida real.


Os traços ainda não estavam do jeito consagrado dos anos 80, estava em evolução. Nota-se pelo formato das bochechas do Chico formando só uma curva direto dos seus olhos. Eram traços típicos de gibis de 1982 e estavam em evolução até chegar ao estilo consagrado lá em meados de 1984. Muito lindo os cenários da história, É impublicável por mostrar assuntos filosóficos sérios como esse, além de mostrar Chico conversando com bisavós mortos e até mostrando o bisavô fumando cachimbo. Curiosidade de não ter mostrado nome da bisavó do Chico, só do seu bisavô Firmino e que nessa história o Chico fez aniversário em setembro, quando foi que saiu esse gibi. Os personagens não tinham data certa de aniversário na época e em qualquer mês podia ter histórias assim.


Dá para notar um caipirês bem diferente do atual, nos primeiros gibis do Chico o sotaque era bem carregado, predominando o gerúndio "-ano". A gente precisava até ler mais devagar pra poder entender melhor certas palavras. Com o passar dos anos forma mudando, seguindo um estilo mais parecido ao atual a partir de 1985. Lembrando que até 1980, a Turma do Chico falava sem caipirês porque a MSP era proibida de colocar personagens falando caipirês. Quando foi liberado, o período de 1980 a 1985 foi de experiência com o seu caipirês. Nas suas republicações, porém, o texto foram alterados para o caipirês atual, tanto no 'Almanaque do Chico Bento Nº 3' (Ed. Globo, 1988) quanto na 'Coleção Histórica Nº 2' (Ed. Panini, 2007). Enfim, um clássico muito bom que vale a pena relembrar.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Tirinha Nº 49: Magali

Magali tinha o seu lado egoísta quando se tratava de comida. Para não dividir comida com os seus amigos era capaz de tudo e muitas vezes se dava mal por isso. Nessa tirinha, ao avistar o Cebolinha ela trata de  tomar o sorvete todo de uma vez, mas puxa o canudo tão forte que acaba engolindo até a mesa junto. Muito engraçada. 

Eu adorava essa característica dela de ser egoísta, trapacear, enganar os seus amigos só para ter comida. Era muito legal e sempre tinha situações divertidas.

Tirinha publicada originalmente em 'Magali Nº 11' (Ed. Globo, 1989).


sábado, 24 de junho de 2017

Turma da Mônica: HQ "Um ladrão na festa"

Dia de São João e em homenagem compartilho uma história raríssima em que um ladrão invadiu a festa junina da turma. Com 6 páginas no total, foi história de encerramento de 'Almanaque da Mônica Nº 9 - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981).

Capa de 'Almaanque da Mônica Nº 9 - especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981)

Começa com os meninos apressando a Mônica a trocar de roupa, falando que não sabe porque as meninas demoram tanto pra trocar de roupa com Magali dando resposta de que só ficou 1 hora e 43 minutos trocando de roupa. Mônica diz que já está indo e Cascão diz que depois chega o carnaval e ela ainda está lá.


Mônica sai e pergunta ao Cebolinha se valeu a pena esperar para vê-la vestida de caipira. Ele diz que vai ser sincero e acaba levando um soco por ter falado mal dela. Eles chegam na quermesse e ai se deparam com um vendedor de pipocas desesperado por terem roubado as pipocas dele. Cebolinha diz que compra pinhão no lugar. Magali pergunta quem poderia ter feito isso e Cebolinha acusa que foi ela.

Logo em seguida, Cascão chama a turma pra brincar na barraca de tiro ao alvo e eles encontram o bandido (que se chamava Kid Pipoquero) que havia assaltado o pipoqueiro e estava querendo assaltar o homem da barraca mandando passar toda a grana que ele tinha. A turma não sabia que ele era bandido e pensava que no saco era o prêmio que ganhou do tiro ao alvo. Cascão fala que quer atirar também. Kid Pipoquero diz que chegou primeiro e Cascão diz que vai ficar na fila. Kid Pipoquero diz que não vai sobrar nada para ele e quando o vendedor entrega tudo, ele sai em disparada. A turma não consegue alcancá-lo e ai deixam para lá.


Em seguida, Magali fica cansada da correria e resolve comer pamonha. Eles vão à barraca e aparece o Kid Pipoquero querendo todas as pamonhas, Cascão consegue pegar a arma do bandido e diz que é a vez dele de dar tiro ao alvo. A turma apoia o Cascão pra ver quem é o melhor atirador e nessa hora aparece o pipoqueiro com um guarda, falando que foi ele quem o assaltou.

Cascão pensa que o guarda quer brincar e aponta a arma para ele falando que tem que aguardar a fila. A turma fica impaciente que a fila não anda e que está fazendo hora de propósito porque querem atirar também. Cascão diz que é porque tem uns caras querendo furar fila. Kid Pipoquero consegue roubar a arma do Cascão e Mônica o segura pela pernas falando que não era a sua vez e consegue derrubá-lo.


O guarda diz que as crianças fizeram um bom trabalho e informa que o Kid Pipoquero era um ladrão de festas juninas com mania de roubar as festas para fazer um particular na prisão e que vão ganhar uma boa recompensa por isso. A turma comemora que são heróis e resolvem comer alguma coisa. Não encontram mais vendendo nem pipoca nem pinhão e estranham que se o ladrão foi preso, como não tinha mais comida na festa. Quando vão conferir, veem que foi a Magali comeu tudo da festa, terminando assim.


Essa história é muito bacana retratando uma típica festa junina e a turma enfrentando um bandido querendo assaltar. Interessante a turma ter a inocência de não saber que o Kid Pipoquero era um bandido, só descobrindo quando conseguiram prendê-lo. Muitas vezes eles enfrentavam bandidos sem saber que era. Foi um bandido bem malvado, e não voltado ao humor como costumavam fazer nas histórias assim.

É completamente impublicável, é inadmissível ter bandidos nas histórias de hoje, assim como os personagens com armas na mão, falando palavra "Droga!"e palavrão. Mas na época era muito comum tudo isso. Os traços muito bons, uma transição da fase fofinha do final dos anos 70 com  os traços que se tornaria padrão e consagrado no decorrer dos anos 80. Traços assim eram bem típicos nos gibis de 1981.


De curiosidade essa história é inédita até então, já que alguns almanaques da Mônica da Editora Abril entre 1980 a 1983 tinham histórias inéditas. E assim como todas as outras inéditas desses almanaques, essa também nunca foi republicada até hoje e muita gente nem nunca ouviu falar dela, Então ela é muita rara, só quem tem esse 'Almanaque da Mônica Nº 9' é que a conhece. Se não foi republicada na Editora Globo, agora que não seria mesmo.


Falando brevemente desse 'Almanaque da Mônica Nº 9', então, tem um mix de histórias inéditas e republicações. Seria um almanaque só com histórias de festas juninas, mas só as inéditas é que são sobre esse tema. Já as republicações apenas a de abertura foi sobre o tema ("O sanfoneiro" - CB # 18, de 1974) e as outras foram republicações normais entre 1973 a 1976, sendo que colocaram mais do Chico Bento pra ter o ar caipira que o almanaque sugere. Como não tinham histórias de festa junina suficiente para republicação, ai colocaram inéditas para criar esse almanaque. Teve também outra história envolvendo bandidos na inédita "A quadrilha do Cebolinha", para ver como histórias assim estavam em alta na época. E ainda teve seção mostrando brincadeiras e receitas típicas de festas juninas.

Então, sempre muito bom ler essa história rara e jamais republicada no Dia de São João. Vale a pena ver essas raridades,

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Capa da Semana: Magali Nº 78

Nessa capa, Magali bate com força para ganhar o prêmio da festa junina de uma cesta de frutas para cair bem em cima da sua boca.

Eu gostava quando o logotipo das capas ficava assim com contornos de outras cores sem ser o preto tradicional, dando ar que estava iluminado.

A capa dessa semana é de 'Magali Nº 78' (Ed. Globo, Junho/ 1992).


sábado, 17 de junho de 2017

Superalmanaque Turma da Mônica Nº 1 - Panini



Já nas bancas o "Superalmanaque Turma da Mônica Nº 1", o mais novo título da MSP pela Editora Panini. Nessa postagem faço uma resenha de como é essa edição.

Lançado em maio de 2017, esse título foi criado inspirado em "Disney Big", almanaque da Disney com 300 páginas de republicações de histórias. Então, "Superalmanaque Turma da Mônica" tem 300 páginas, capa cartonada e miolo com papel jornal tradicional, formato do tamanho dos gibis convencionais com publicação semestral e custando R$ 15,00. Tem quase o dobro de páginas do "Almanaque Temático", que tem 160 páginas.

Capa e contracapa formam um único desenho com vários personagens reunidos, curioso do Rolo aparecer com visual antigo nela. Como vantagem, não tem propagandas nem passatempos no miolo, só histórias do início ao fim e poucas histórias mudas (3 pra ser exato),  o que incentiva a leitura.

Contracapa da edição

Fora isso, as vantagens param por ai. Não teve índice de histórias como é no "Disney Big", só tem um frontispício e as histórias a seguir. Só tem histórias da Editora Panini de 2007, mais precisamente das edições "Nº 1" ao "Nº 5" dos 6 gibis principais. Foram 31 histórias no total, incluindo a tirinha final, e nenhuma da Globo dos anos 80 e 90 e muito menos da Editora Abril. Investiram mais em histórias longas e histórias de abertura originais até que foram poucas, mas as que tiveram foram longas. Para piorar, o exemplar é vendido embalado com plástico e não dá para folhear e ver quais são as histórias nele nas bancas.

Muitos imaginavam que com a notícia do lançamento dessa edição que teriam histórias de todos os tempos,  até por causa do teaser da editora falando sobre isso, mas não foi o que aconteceu. Depois do término da "Coleção Histórica",no final de 2015, podiam ter aproveitado essa edição pra colocaram histórias de todas as fases desde os anos 70 da fase dos personagens com traços de bochechas pontiagudas até a a atualidade.

Frontispício da edição

Muitos almanaques convencionais têm histórias bem melhores que saíram nesse "Superalmanaque Turma da Mônica". Desde 2012 eles vem re-republicando histórias da Editora Globo desde 1987 seguindo uma sequência. Ao invés de terem republicados histórias da Panini de 2007 desde então, passaram a voltar no tempo com histórias de 1987 em diante. Só almanaques da Magali que continuaram seguindo a sequência e hoje colocam praticamente as histórias dela de 2002 (dos secundários nos almanaques dela costumam ser antigas), mas os outros almanaques estão hoje republicando histórias antigas, sendo a maioria agora com foco nos anos 90.

Seguindo essa lógica, depois que acabar de republicarem todas as histórias possíveis da Globo vão passar a colocar só as da Panini, já que dificilmente colocarão histórias da Editora Abril nos almanaques. Se nesse "Superalmanaque" podiam ter e não colocaram, não seriam em almanaques convencionais. Se fosse comparar na época de almanaques da Editora Abril e Globo que republicavam histórias até com 5 anos atrás, hoje estariam republicando histórias de 2012, com mais foco em 2010 e já é um avanço colocarem histórias dos anos 80 e 90 no lugar.

Trecho da HQ "Mônica, a menina gorila" (MN # 4, Ed. Panini, 2007)

Por outro lado, como estão republicando histórias antigas, vem sendo feitas uma séria de alterações nas histórias originais para atender ao politicamente correto, com mudanças bobas, chegando a ser uma paranoia de mudar tudo que se encontra pela frente, como tirar armas dos personagens e colocando outra coisa no lugar, colocando cartaz nos muros rabiscados onde não tinha, mudando palavras por outras para tirar duplo sentidos, como recentemente mudaram perereca por sapinho, entre tantas outras coisas bobas.

Como são histórias recentes nesse "Superalmanaque Turma da Mônica", não tiveram alterações em relação às originais, pelo menos não percebi nada diferente. Outro detalhe negativo dessa edição é que não tiveram códigos mostrando em qual gibi as histórias saíram originalmente. Por serem histórias da Panini podiam mostrar esses códigos como faziam nos almanaques das editoras Abril e Globo quando as histórias eram da própria editora.

Trecho da HQ "O meu sossego foi pro espaço" (TM # 1, Ed. Panini, 2007)

Em relação às histórias, procuraram colocar todos os universos de personagens da Turma da Mônica, teve até uma do Horácio, que era raro ter história dele nos gibis a partir dos anos 2000, mas não teve nenhuma do Piteco e Turma da Mata e ficaram devendo isso, como informaram no teaser da editora. Abre com a história "Mônica, a menina gorila" (MN # 4, de 2007), em que a Mônica se transforma em gorila quando a turma vai ao circo ver Songa, a mulher gorila. Tem também "O meu sossego foi pro espaço" (encerramento de "Turma da Mônica - Uma aventura no Parque da Mônica" # 1", de 2007), em que o a turminha perturba o Seu Juca quando ele foi astronauta, com participação do Astronauta nela.

Tina e sua turma teve 2 histórias com traços da fase "Radical Chic" com muitas "caras e bocas" terríveis que marcou a fase entre 2004 a 2007. O "Superalmanaque" termina com a história "A grama do Vizinho" (CC # 1 - Ed. Panini, de 2007), em que o Cascão se transforma em outros personagens para não se dar mal nas histórias. Essa, inclusive, escrita por Emerson Abreu, com traços com caretas excessivas horrorosas e desnecessárias, típicas na época, como mostro ao Cascão transformado em Mônica no trecho a seguir:

Trecho da HQ "A grama do vizinho" (CC # 1, Ed. Panini, 2007)

Como podem ver, "Superalmanaque Turma da Mônica Nº 1" não teve nada de especial, é apenas um almanaque comum com mais páginas e mais histórias, incentivando a leitura, e uma capa cartonada. Quem esperava algo grandioso com grandes clássicos da Turma da Mônica se decepcionou. Apesar de serem histórias de 10 anos e pelo tempo decorrido já não são tão novas assim, mas a qualidade das histórias já ficavam a desejar desde aquela época e não tem grande importância nesse almanaque.

Se for comprar só por ser edição "Nº 1" de um título novo ou quem quer saber como eram as histórias de 2007, mas para quem esperava histórias pelo menos da Globo dos anos 80 e 90 que vem sendo republicadas nos almanaques convencionais se decepciona. Pode ser que nos próximos números eles possam mudar, mas nesse exemplar não valeu a pena. 

sábado, 10 de junho de 2017

Capa da Semana: Chico Bento Nº 123

Uma capa linda sem piadinha, apenas um desenho bonito com Chico Bento e Rosinha namorando de mãos dadas atravessando uma cachoeira em uma ponte formada por um arco íris e olhando a paisagem. Muito caprichada.

Nessa edição teve a famosa etiqueta de preço que costumavam ter ao mudar o preço da edição de capa por causa da inflação. Sendo que a etiqueta foi retirada e como era com cola danificou a parte onde ela estava.

Capa dessa semana é de 'Chico Bento Nº 123' (Ed. Globo, Setembro/ 1991).


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Bidu: HQ "Sem roteiristas"


Mostro uma história simples com o Bidu com problema de não ter nenhum roteirista para escrever a sua história. Com 4  páginas no total, foi publicada em 'Cascão Nº 48' (Ed. Globo, 1988).


Capa de 'Cascão Nº 48' (Ed. Globo, 1988)

Nela, Bidu entra na sua história. Ele fica parado e não acontece nada, só uma borboleta voando. Ele chama Manfredo para saber que acabou a primeira página e nada havia acontecido.



Manfredo avisa que não tem roteirista na firma: Rubão está doente, mais para lá do que para cá, Robson estava de férias e a Rosana se casou e estava em Lua-de-Mel. Bidu sugere apelar para o Mauricio para escrever uma história ao estilo à moda antiga e Manfredo diz que o Mauricio está viajando a negócios. 

Bidu diz que eles vão ter duas alternativas. Ou devolver o dinheiro que os leitores pagaram na revista ou então improvisar. Manfredo sugere outra alternativa e chama o Bugu pra entrar na história. Bidu recebe de braços abertos dessa vez e fala para ele começar logo com suas imitações sensacionais. Bugu diz que não vai dar porque não tem nada preparado já que não encontrou nenhum roteirista e são eles que ajudam no texto. 



Manfredo traz um livro de antologia para ver se inspiram alguma coisa, mas as ideias são tudo fora do estilo deles e velhas, voltados para maiores de 90 anos. Bidu implora que alguém ajude com uma piada e tacam uma pia quebrada em cima da cabela dele. Bidu resolve conversar com Dona Pedra, mas ela não tinha nenhuma inspiração pra conversar. De repente aparecem de volta o Mauricio e os outros roteiristas já com seus problemas resolvidos e prontos para criar uma história para o Bidu, mas já era tarde porque a história estava no final e não dava mais pra fazer mais nada.



Muito legal essa história envolvendo metalinguagem e brincando como seria uma história se não tivesse nenhum roteirista. Na verdade, algum roteirista criou essa história brincando com essa possibilidade e ainda encaixou fatos que aconteceu como a Rosana Munhoz ter se casado na época de verdade e ter ficado em Lua-de-Mel. O casamento dela também foi retratado na história "O casamento da roteirista",de 'Mônica Nº 18' , de 1988. 

Tem os lances engraçados como Manfredo dizer que o Rubão estava mais pra lá do que pra cá, ter que devolver o dinheiro da revista para os leitores por não terem produzido história nenhuma e uma pia cair na cabeça do Bidu do nada. Coisas assim se tornou mais engraçada ainda. Os traços muito bons e umas cores bacanas com o rosa com tom voltado para o roxo como acontecia algumas vezes na época.


Rubão (Rubens Kyiomura), Robson Lacerda e Rosana Munhoz eram os roteiristas que faziam brilhantemente as histórias nos gibis do final dos anos 80. Com a saída do Reinaldo Waisman para produzir os gibis da Xuxa, ficaram só esses 3 roteiristas na MSP e ficou claro que Mauricio de Sousa não escrevia mais as histórias, só em ocasiões especiais. No início dos anos 90 que começaram a parecer outros roteiristas na MSP aos poucos, mas eles continuaram ainda por um bom tempo nos anos 90, sendo que Rubão ficou até por volta de 1997, Rosana infelizmente faleceu encerrando sua linda trajetória e o Robson continua até hoje lá.